Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins analisam a imaginação em bonobos
Um estudo inédito mostra que bonobos, como Kanzi, conseguem brincar de faz de conta, sugerindo habilidades imaginativas semelhantes às dos humanos.
A capacidade de imaginar cenários e brincar de “faz de conta” é uma habilidade que, até recentemente, era considerada exclusiva dos humanos. No entanto, um novo estudo conduzido por cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, revela que os bonobos, especificamente o bonobo Kanzi, demonstraram habilidade semelhante. Essa descoberta pode revolucionar a forma como entendemos a cognição em primatas e suas interações sociais.
A Origem da Imaginação em Animais
A imaginação é um aspecto crucial do desenvolvimento humano, frequentemente expresso através de brincadeiras criativas durante a infância. Esse fenômeno não é apenas um reflexo da criatividade, mas também uma ferramenta essencial para o aprendizado e a adaptação ao ambiente. Em primatas, observa-se que a habilidade de simular situações através de brincadeiras pode estar ligadas à sua sobrevivência e dinâmica social. Em estudos anteriores, chimpanzés fêmeas foram observados carregando gravetos como se fossem filhotes, uma evidência de que a simulação de cenários pode ocorrer em ambientes naturais.
O Estudo com Kanzi
Kanzi, um bonobo que se destacou por sua capacidade de comunicação com humanos através de símbolos gráficos, foi o foco do estudo. Os pesquisadores realizaram experimentos para observar se o bonobo poderia distinguir entre suco imaginário e real. Em uma das experiências, Kanzi foi apresentado a dois copos, um com suco imaginário e outro vazio. Surpreendentemente, ele escolheu o copo “cheio” em 68% das vezes, demonstrando reconhecimento e preferência por algo que não existia fisicamente. Em outra fase do teste, utilizando suco verdadeiro, sua escolha pelo copo correto aumentou para 80%. Essas interações não apenas destacam a capacidade de Kanzi de diferenciar entre real e imaginário, mas também levantam questões sobre a profundidade da cognição e imaginação em primatas.
Implicações e Futuro da Pesquisa
Apesar dos resultados promissores, a comunidade científica permanece cautelosa. A habilidade de Kanzi, que foi criado em cativeiro e treinado, não garante que outros bonobos ou primatas selvagens possuam a mesma capacidade de simular e brincar de faz de conta. O debate sobre a imaginação em animais continua, e novos estudos serão necessários para explorar as nuances da cognição primata. Compreender melhor a mente dos primatas poderá não apenas enriquecer nosso conhecimento sobre a evolução da inteligência, mas também desafiar nossas percepções sobre a diferença entre humanos e outras espécies.
Conclusão
O estudo realizado com Kanzi oferece insights fascinantes sobre a imaginação entre primatas, apontando para a possibilidade de habilidades cognitivas mais complexas do que se suponha. À medida que a pesquisa avança, poderemos descobrir novas dimensões sobre como os bonobos e outros primatas interagem com seu ambiente e entre si, potencialmente redefinindo a maneira como vemos a inteligência animal.
Fonte: www.metropoles.com
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