Brasil registra 321 mil casos de estupro de vulnerável entre 2019 e 2025, com recorde em 2025
Entre 2019 e 2025, Brasil registrou 321.413 casos de estupro de vulnerável, com aumento de 55,5% e recorde em 2025.
O Brasil registrou um total de 321.413 casos de estupro de vulnerável entre 2019 e 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O aumento foi de 55,5% ao longo dos sete anos analisados, indicando uma escalada preocupante dessa forma de violência sexual no país.
Recorde de casos em 2025
O ano de 2025 marcou o maior número de vítimas desde o início da série histórica, com 57.329 casos, representando um crescimento de 10,6% em comparação a 2024, que registrou 51.834 vítimas. Em média, aproximadamente 157 pessoas são vítimas de estupro de vulnerável diariamente no Brasil.
Vale destacar que os números ainda podem crescer, pois estados como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não enviaram dados referentes ao mês de dezembro, o que pode impactar nas estatísticas finais.
Perfil das vítimas e regionalização dos casos
O perfil das vítimas mostra que meninas e mulheres correspondem a 85,5% dos casos, totalizando 274.889 vítimas, enquanto o sexo masculino representa 13,5% (43.646 casos). Um número menor, de 2.978 registros, corresponde a vítimas sem identificação de sexo.
Entre os estados, São Paulo lidera o ranking com 77.354 casos, mesmo sem o dado completo de dezembro, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 28.831 registros, e Minas Gerais, com 27.580 casos.
Definição legal do estupro de vulnerável
De acordo com o Código Penal brasileiro, o crime de estupro de vulnerável abrange:
Crianças e adolescentes até 14 anos;
Pessoas com doença ou deficiência que as incapacite para entender o ato;
Indivíduos que não possam oferecer resistência, como os embriagados, inconscientes ou sob efeito de drogas.
Casos chocantes e repercussão social
O cenário nacional tem sido marcado por casos que sensibilizam e chocam a opinião pública. Em outubro de 2025, no Distrito Federal, um comerciante foi preso após abusar sexualmente de um homem com deficiência intelectual e esquizofrenia. A vítima foi coagida a praticar atos sexuais por cerca de cinco horas, enquanto o agressor prometia pagamento e gravava os abusos.
Outro episódio grave ocorreu em Anápolis (GO), onde um homem de 83 anos abusou sexualmente de uma criança autista de 12 anos. A vítima conseguiu registrar o abuso com um celular durante o crime, que foi descoberto após a publicação do vídeo em uma rede social da mãe, que é deficiente visual e não percebeu o abuso no momento.
Esses casos evidenciam a vulnerabilidade das vítimas e a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para a prevenção e a proteção dos grupos em risco.
Tendência de crescimento e desafios
O crescimento constante dos casos de estupro de vulnerável no Brasil aponta para a complexidade do problema, que envolve fatores sociais, culturais e estruturais. A subnotificação e a demora na coleta de dados completos dificultam a elaboração de estratégias eficientes.
Além disso, a maioria das vítimas sendo crianças, adolescentes e pessoas com deficiência reforça a demanda por mecanismos de proteção especializados, atendimento psicológico e jurídico, além da conscientização da sociedade.
Importância da conscientização e combate ao crime
O aumento expressivo das ocorrências exige ações integradas entre órgãos públicos, sociedade civil, instituições de ensino e famílias para fortalecer a prevenção e a repressão ao estupro de vulnerável. Investimentos em educação, políticas sociais e vigilância são essenciais para reverter essa estatística alarmante.

Imagem mostra criança segurando urso de pelúcia – Foto: Wey Alves/Especial Metrópoles*
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Wey Alves/Especial Metrópoles