Etanol de milho gera preocupações em 2026 e impacta usinas brasileiras

O crescimento do biocombustível de milho pode afetar o mercado de açúcar e a rentabilidade das usinas.

O etanol de milho se expande, mas gera alertas para a competitividade no setor sucroenergético.

Etanol de milho e suas implicações para as usinas em 2026

No Brasil, o etanol de milho está emergindo como uma fonte potencial de alívio para as usinas, especialmente em um cenário onde os preços do açúcar estão em queda. No entanto, a rápida expansão do biocombustível pode acender um alerta para o setor sucroenergético, que já enfrenta desafios significativos. Este ano, a pressão sobre os preços e margens do açúcar torna o etanol de milho uma variável crucial a ser considerada.

Concorrência crescente no mercado

O aumento da oferta de etanol, que inclui tanto o de milho quanto o de cana-de-açúcar, está criando um ambiente competitivo. Com a expectativa de um mix mais alcooleiro na safra 2026/27, a pressão sobre os preços do etanol é uma preocupação crescente. As usinas podem enfrentar margens de lucro ainda mais comprimidas, o que torna a situação financeira do setor ainda mais precária. A previsão é de que, para a próxima safra, que se inicia em abril, os preços do biocombustível possam se manter firmes, mas o cenário a longo prazo continua incerto.

A opinião de especialistas

Marcos Jank, professor do Insper, destaca que a expansão do etanol de milho pode causar distorções no mercado. Ele questiona se há realmente espaço para aumentar a produção de açúcar, dado que o Brasil já representa cerca de metade do mercado global e o consumo interno está próximo do limite. “O brasileiro já consome muito açúcar, e a produção adicional deve ser orientada para a exportação”, afirma o professor. Essa situação pode forçar as usinas a redirecionar mais cana para a produção de açúcar, o que altera a dinâmica do setor.

Sustentabilidade da produção de etanol

A sustentabilidade da rentabilidade das usinas de etanol de milho é outro ponto de discussão. Jank ressalta que a entrada de novas unidades pode criar um cenário onde a continuidade dessa rentabilidade é questionável. A volatilidade dos preços da gasolina, por exemplo, pode impactar negativamente a comercialização do etanol, tornando a gestão de risco e a governança das empresas ainda mais essenciais.

Expectativas para a produção de etanol

Conforme as estimativas da StoneX, a produção de etanol de milho deve fechar em cerca de 9,6 milhões de m³. Para 2026, a expectativa é que esse número alcance entre 11,5 e 12 milhões de m³, representando um aumento de 20% a 25%. Atualmente, o etanol de milho já responde por 25% da produção total de biocombustível no Brasil, e algumas projeções mais otimistas indicam que esse percentual pode chegar a 50% nos próximos 10 anos. De acordo com a StoneX, é esperado que esse percentual seja de 40% até 2035.

Conclusão

Em um cenário desafiador, o etanol de milho traz tanto oportunidades quanto riscos para as usinas brasileiras. A capacidade de adaptação do setor e a gestão eficaz dos desafios emergentes serão cruciais para a manutenção da competitividade e rentabilidade no mercado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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