Decisão marca uma nova era de isolamento nas políticas ambientais do país
A saída dos EUA do tratado climático marca uma mudança significativa nas políticas ambientais e nas relações internacionais do país.
O governo Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos do tratado climático fundamental que sustenta a cooperação internacional em questões climáticas, conforme um memorando divulgado pela Casa Branca. Essa decisão, se concretizada, isolaria os EUA das discussões globais sobre mudanças climáticas e poderia aumentar as tensões com aliados que priorizam ações climáticas.
O que está em jogo para o futuro do clima global
O tratado em questão é a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), da qual os Estados Unidos são signatários desde 1992, quando George H.W. Bush era presidente. Embora o acordo não exija cortes imediatos nas emissões de combustíveis fósseis, ele estabelece um objetivo de estabilizar a quantidade de poluição climática na atmosfera para evitar interferências perigosas no sistema climático. Além disso, criou um processo de negociação entre países, conhecido como cúpulas climáticas anuais da ONU, que resultaram no Protocolo de Kyoto em 1995 e no Acordo de Paris em 2015.
A decisão de se retirar do UNFCCC e de outras organizações internacionais é um retrocesso significativo na colaboração dos EUA em questões globais. O Secretário de Estado Marco Rubio justificou a retirada, afirmando que o país não deve continuar investindo recursos em instituições que não servem aos seus interesses. Ele destacou que a prioridade é buscar colaborações que beneficiem os cidadãos americanos.
Consequências potenciais da retirada
John Kerry, ex-secretário de Estado e enviado climático dos EUA, criticou a decisão, considerando-a prejudicial aos interesses americanos e uma oportunidade para que países como a China evitem responsabilidades ambientais. Com essa retirada, os EUA se tornam o primeiro país a abandonar formalmente o tratado climático, uma vez que quase todas as nações do mundo são membros.
Embora a ratificação do UNFCCC pelo Senado em 1992 crie uma área cinzenta legal sobre a capacidade do presidente de retirar o país unilateralmente do acordo, é provável que o apoio da maioria republicana no Congresso facilite essa ação. Se a retirada for efetivada, os EUA não poderão participar oficialmente das futuras cúpulas climáticas, o que poderá questionar o comprometimento do país com outros acordos de longa data.
Além disso, essa decisão poderá incentivar outros países a reavaliarem suas próprias obrigações em relação ao UNFCCC. A saída dos EUA pode não apenas prejudicar o progresso climático nacional, mas também impactar o esforço global contra as mudanças climáticas.
A revisão dos acordos internacionais realizada pelo Departamento de Estado, com base em uma ordem executiva, resultou na decisão de retirar os EUA de 66 organizações internacionais que, segundo o governo, não atendem mais aos interesses americanos. Essa lista inclui diversas entidades da ONU e outros grupos importantes, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que é reconhecido mundialmente por suas publicações sobre aquecimento global.
Frente a essa nova realidade, as consequências para os cientistas e pesquisadores americanos poderão ser graves, uma vez que a participação em relatórios do IPCC pode ser dificultada. Além disso, a administração Trump já havia se distanciado de outras organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), sinalizando um movimento mais amplo de isolamento nas políticas externas dos EUA.
Fonte: www.cnn.com
Fonte: An American flag flies near an oil refinery in Wilmington, California, on November 19, 2024
