Decisão marca um retrocesso nas iniciativas globais de combate às mudanças climáticas
A decisão de Trump de retirar os EUA de 66 organismos internacionais, incluindo o tratado climático da ONU, gera controvérsias e críticas de especialistas.
A administração do presidente Donald Trump acaba de assinar uma ordem executiva que suspende a participação dos Estados Unidos em uma série de agências e comissões da ONU, totalizando 66 organizações. Essa decisão é vista como um dos maiores retrocessos da cooperação global na história moderna dos EUA, especialmente em relação a questões climáticas, trabalhistas e de migração, as quais o governo atual considera como iniciativas “woke”.
O que está em jogo com a retirada dos EUA
A saída dos Estados Unidos do tratado climático da ONU, que serve de base para o Acordo de Paris, deixa o país como o único fora do marco global de combate às mudanças climáticas. A retirada é especialmente significativa, considerando que Trump já havia abandonado o Acordo de Paris logo após retornar à Casa Branca, alegando que as mudanças climáticas são uma farsa. O Secretário de Estado, Marco Rubio, argumentou que essas instituições são redundantes, mal geridas e ameaçam a soberania dos EUA, afirmando que não é mais aceitável que o país continue enviando recursos para uma estrutura que não traz resultados.
Críticos, incluindo ex-assessores climáticos e cientistas, expressaram preocupações sobre os impactos negativos dessa decisão. Gina McCarthy, ex-conselheira nacional de clima da Casa Branca, chamou a ação de “curta visão, embaraçosa e tola”, advertindo que os EUA estão perdendo a capacidade de influenciar investimentos e políticas climáticas globais. O cientista Rob Jackson, que preside o Global Carbon Project, afirmou que a retirada dos EUA pode dar a outras nações a justificativa para adiar suas próprias ações em relação à redução de emissões de gases de efeito estufa.
O que mais está na lista de retirada
Além do tratado climático, a administração Trump decidiu sair do Fundo de População da ONU, que fornece serviços de saúde sexual e reprodutiva mundialmente. Durante seu primeiro mandato, Trump já havia cortado o financiamento para essa agência, com base em alegações de que ela participava de práticas de aborto coercitivas na China, algo que uma revisão do Departamento de Estado de 2022 não encontrou evidências para apoiar.
Outras organizações que estão na lista de retirada incluem o Carbon Free Energy Compact, a Universidade das Nações Unidas e o Comitê Consultivo Internacional do Algodão. A administração já havia suspendido o apoio à Organização Mundial da Saúde, à agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e à UNESCO.
Daniel Forti, chefe de assuntos da ONU no International Crisis Group, observou que essa abordagem reflete uma nova estratégia dos EUA que se caracteriza pela afirmação de que a participação internacional deve alinhar-se apenas com a agenda de Trump. Isso representa uma mudança significativa em relação às administrações anteriores, tanto republicanas quanto democratas, que geralmente buscavam um engajamento mais cooperativo com a ONU.
Com essa decisão, o impacto no cenário global pode ser profundo, afetando não apenas a política climática, mas também a maneira como os EUA interagem com aliados e adversários. O mundo observa atentamente as repercussões dessa retirada, especialmente em um momento em que a colaboração global é fundamental para enfrentar desafios como as mudanças climáticas e crises humanitárias.
Fonte: www.euronews.com
