Sem ter concluído o primeiro grau e após anos de trabalho no comércio, curitibana enfrentou o desemprego e a falta de propósito para transformar a própria trajetória e fundar o projeto “Fala Mulher”
Aos 50 anos, a empreendedora Patrícia Fogaça é a prova viva de que a bagagem da vida e a determinação valem muito mais do que qualquer diploma pendurado na parede. Sem ter concluído o primeiro grau, ela passou boa parte da vida adulta acreditando que seu valor era menor do que o de outras pessoas por não ter cursado uma faculdade. Hoje, após transformar a própria realidade, ela usa a comunicação não verbal e o posicionamento pessoal para ajudar outras mulheres a vencerem o medo do julgamento e ocuparem o seu espaço no mercado.
Por muitos anos, Patrícia atuou como barista em renomadas cafeterias de Curitiba, dedicando-se à arte de servir e criar desenhos no café. No entanto, a rotina de desgaste e a falta de valorização profissional culminaram na decisão de dar um basta. Após ser desligada de seu último emprego na Praça da Espanha, ela decidiu que não voltaria a trabalhar para os outros.
O tropeço e o resgate da autoestima
A transição para o negócio próprio não foi simples. Houve tentativas frustradas na venda direta, cursos na área da beleza interrompidos pela pandemia e projetos na fotografia que não engrenaram. Na mesma época, Patrícia enfrentava um quadro severo de depressão e ausência de propósito, sentindo-se desvalorizada e sem perspectivas de futuro.
O ponto de virada começou na Associação Comercial de Fazenda Rio Grande, ao integrar a Câmara da Mulher. O acolhimento do grupo e a convivência em rede devolveram a ela a confiança que parecia perdida.
“Pela primeira vez me senti amada, valorizada e importante. Tinha amigas que queriam a minha presença. Dali nasceu uma oficina despretensiosa para ensinar mulheres a gravarem vídeos, e esse projeto acabou me transformando por completo”, relembra Patrícia.
Caminhada solo e a virada no “Fala Mulher”
O que começou como um workshop pontual para 30 mulheres logo revelou um potencial muito maior. Contudo, logo no início da jornada, a saída da sócia deixou Patrícia diante de um novo desafio: tocar o projeto sozinha, sem conhecimento técnico sobre reuniões virtuais ou gestão de negócios.
Com o suporte de terapeutas, amigas e uma grande força interna, ela assumiu a liderança do projeto Fala Mulher. Em pouco mais de um ano, Patrícia realizou palestras presenciais, formou turmas online, deu entrevistas para veículos de imprensa local, participou como coautora de livro e realizou mais de sete cursos na área de oratória e comunicação.
Expandindo o leque na comunicação
Percebendo as dores de suas alunas, a atuação do Fala Mulher evoluiu. Deixou de ser apenas um treinamento para perder o medo da câmera e tornou-se uma metodologia voltada para o posicionamento de impacto, linguagem não verbal e inteligência emocional em reuniões, eventos e redes sociais.
Para Patrícia, o maior obstáculo enfrentado pelas mulheres não é a falta de capacidade técnica, mas a importância excessiva dada à opinião alheia.
“O medo do julgamento é o grande vilão. Ele não vai embora e nos acompanha a vida toda. O problema não é ter medo, mas o peso que damos a ele. Quando deixamos de dar tanta importância ao que os outros pensam, paramos de perder oportunidades.”
3 Dicas para empreender e transformar a vida
Diante de sua trajetória de reinvenção, Patrícia compartilha três conselhos essenciais para quem deseja começar um negócio e vencer a insegurança:
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Descubra o seu “porquê”: Encontre aquilo que faz o seu coração bater mais forte e entenda claramente quais são as motivações por trás do seu trabalho.
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Encare o julgamento: As críticas sempre vão existir no caminho. Cabe a você escolher se vai se esconder por causa delas ou encarar o desafio e fazer o que precisa ser feito.
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Invista em conhecimento contínuo: Estude e aperfeiçoe o que você já sabe. O aprendizado é o único ativo que ninguém pode tirar de você. Se a confiança falhar no início, mantenha a postura, acredite na sua capacidade e siga em frente.

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Mande um e-mail com a sua trajetória e o seu projeto para: kelbraga.folhadecuritiba@gmail.com
Fonte: Patrícia Fogaça. / Fotos: Divulgação.