Caso de Diego Dirísio envolve tráfico de armas e diplomacia entre países
Após quase dois anos, Brasil ainda aguarda extradição de Diego Dirísio, acusado de tráfico de armas.
Uma disputa política e judicial colocou o Brasil e Argentina em lados opostos, em fevereiro do ano passado: passados quase dois anos, ainda não há uma resposta do país vizinho sobre a extradição do preso Diego Dirísio. Ele é conhecido pelas autoridades como “mestre das armas” na América do Sul.
A Justiça Federal na Bahia, a pedido da PF (Polícia Federal), pediu a extradição do argentino Diego Hernan Dirisio e da esposa dele, Julieta Vanessa Nardi Aranda, para que o casal cumpra pena no Brasil.
Dirísio é apontado pela PF como o maior traficante de armas da América do Sul, e é suspeito de ter vendido ao menos 43 mil armas para o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
Segundo a investigação da PF, o esquema descoberto teria movimentado R$ 1,2 bilhão durante três anos.
“Eles têm que responder perante à lei brasileira e a gente espera que aqui sejam condenados e presos, e cumpram a condenação no Brasil. É uma resposta muito importante que a gente pode dar para o crime organizado”, disse à CNN o delegado Flávio Albergaria, superintendente da Polícia Federal na Bahia.
Em dezembro de 2023, a PF deflagrou a operação “Dakovo” e Dirísio era o principal alvo para ser preso, mas não foi encontrado e entrou na lista de foragidos da Interpol. No início de fevereiro de 2024, ele e a esposa acabaram presos na Argentina em operação da Interpol. O Brasil, então, quer que ele seja extraditado para cumprir pena em solo brasileiro.
A PF aponta que o esquema importou milhares de pistolas, fuzis e munição de vários fabricantes europeus. As investigações começaram em 2020, com a apreensão de 23 pistolas e dois fuzis pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).
O especialista João Rafael Amorim, advogado criminalista, explica que a nacionalidade argentina pode dificultar o processo de extradição, mas a existência de um Tratado de Extradição entre os países facilita a cooperação.
“Ocorrendo a denegação da extradição unicamente em razão da nacionalidade, a República Argentina submeterá, a pedido do Brasil, o assunto a suas autoridades competentes para que se possam iniciar as ações contra os argentinos em seu próprio sistema judicial”, conclui Amorim.
A CNN procurou o governo argentino sobre o pedido de extradição sem resposta após quase dois anos.
