O fair play financeiro no Brasil, um modelo desenvolvido com a participação de clubes e baseado em sistemas europeus, começa a ganhar forma com a atuação da ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol). O economista César Grafietti, um dos consultores da CBF para a criação desse sistema, detalhou as principais regras e penalidades que visam garantir a sustentabilidade financeira dos clubes.
Desde o início de 2023, a ANRESF é responsável por monitorar se os clubes estão cumprindo com suas obrigações financeiras, como o pagamento de dívidas a jogadores, a outros clubes e ao fisco. Grafietti ressaltou a importância desse controle para assegurar que, ao contratar novos atletas, os clubes tenham condições de honrar os compromissos financeiros. “As regras criadas no ano passado estão sendo implementadas e os clubes estão cientes da necessidade de seguir essas diretrizes”, afirmou.
Um dos pilares centrais do fair play financeiro é a sustentabilidade, que proíbe atrasos em pagamentos. Caso um clube não cumpra com suas obrigações, ele pode enfrentar uma série de sanções. As penalidades podem variar desde uma advertência inicial até multas e a imposição de um transfer ban, que impede a contratação e registro de novos jogadores. Grafietti explicou que, se a situação não for regularizada, pode haver perda de pontos em competições e até rebaixamento.
Os procedimentos de sanção têm uma sequência definida: inicialmente, o clube devedor recebe uma advertência. Persistindo a inadimplência, a penalidade se transforma em multa e, posteriormente, pode levar ao transfer ban. A sequência pode culminar em punições mais severas, caso o clube não consiga regularizar suas contas.
A implementação do Sistema de Sustentabilidade do Futebol Brasileiro, que começou em 1º de janeiro de 2023, visa equilibrar a situação financeira dos clubes, que atualmente se dividem entre aqueles bem estruturados e saudáveis e outros que enfrentam dificuldades financeiras. Grafietti acredita que a CBF está comprometida em fazer essa regulação funcionar efetivamente.
O economista também é responsável pelo relatório “Convocados 2026”, e a sua presença no programa CNN Esportes S/A destaca a necessidade de abordar a economia e os negócios no universo esportivo, que movimenta bilhões. O debate em torno do fair play financeiro é fundamental para entender as mudanças que estão por vir no Futebol Brasileiro.