A transformação digital, a automação avançada e a Inteligência Artificial têm evidenciado a necessidade de discutir a inovação na indústria brasileira. Embora existam diversos estudos que revelam a baixa performance do Brasil nesse aspecto, pouco se fala sobre as razões que levam a essa situação. Um dos principais obstáculos é a diferença significativa entre o discurso inovador e a realidade das fábricas, onde o risco associado à inovação se torna um fator limitante.
Para os gestores de fábricas que operam em regime contínuo, a pressão para cumprir metas de produção torna a inovação uma variável de alto risco. Esses gestores tendem a priorizar resultados imediatos, o que os leva a optar por soluções convencionais, mesmo que apresentem limitações conhecidas. A verdadeira inovação, que requer tempo e validação, muitas vezes não é bem recebida, visto que pode não garantir resultados instantâneos. No entanto, à medida que projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) amadurecem, seus resultados podem superar significativamente as soluções tradicionais.
Historicamente, existe uma lacuna entre a academia e a indústria, com a primeira desenvolvendo tecnologias para o futuro e a segunda buscando aplicar essas inovações. Para reduzir essa distância, institutos de desenvolvimento emergiram como pontes entre a pesquisa acadêmica e a aplicação prática nas operações industriais. Com custos operacionais reduzidos e especialistas qualificados, esses institutos são capazes de impulsionar a competitividade das indústrias, promovendo um ambiente mais propício à inovação.
Criticar a suposta inércia da indústria ou a desconexão da academia não resolve os problemas enfrentados. O verdadeiro desafio reside na necessidade de otimizar o processo tecnológico, garantindo que a tecnologia se torne uma ferramenta efetiva para a competitividade das operações. Elevar o debate para questões práticas e estruturais que facilitem a colaboração entre universidades, institutos de pesquisa e indústrias é crucial.
É essencial que a conexão entre esses setores se transforme de um gargalo burocrático em um fluxo contínuo, permitindo que a inovação se torne a principal aliada da competitividade no cenário global. Somente dessa forma a indústria brasileira conseguirá transformar os riscos associados à inovação em oportunidades concretas de crescimento e desenvolvimento.