O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão em regime inicial fechado pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, e por ferimentos causados a um amigo durante um acidente em março de 2024 na zona leste de São Paulo. A sentença foi lida por volta de 1h20 desta sexta-feira (30), após o segundo dia de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.
O júri, composto por sete jurados (quatro mulheres e três homens), reconheceu a responsabilidade criminal de Sastre por homicídio qualificado na modalidade de dolo eventual, quando o autor assume o risco de provocar a morte, e por lesão corporal contra Marcus Vinícius Machado Rocha, que estava no Porsche no momento da colisão. Os jurados também acataram a qualificadora de perigo comum, por entenderem que a conduta do empresário colocou outras pessoas em risco. Além da pena de prisão, a Justiça determinou a inabilitação de Fernando Sastre para dirigir veículos automotores.
O julgamento começou na quarta-feira (28) e foi marcado por depoimentos de testemunhas e familiares das vítimas, além da confissão inédita do empresário de que havia consumido bebida alcoólica antes do acidente. Durante o interrogatório, realizado na quinta-feira (29), Sastre admitiu pela primeira vez desde a colisão que ingeriu álcool naquela noite. Até então, ele negava ter bebido antes de assumir a direção do Porsche. O réu chorou durante o depoimento, pediu perdão aos familiares das vítimas e afirmou estar arrependido.
Marcus Vinícius Machado Rocha, melhor amigo de Sastre na época e que estava no banco do passageiro do Porsche, ficou gravemente ferido. Em seu depoimento, confirmou que o empresário havia consumido bebidas alcoólicas antes de dirigir e relatou que amigos tentaram convencê-lo a não assumir o volante. Ele também afirmou ter sofrido pressão de pessoas próximas para mudar sua versão sobre os acontecimentos. O julgamento teve ainda uma confusão envolvendo Giovanna Pinheiro Silva, namorada de Sastre na época, que precisou ser conduzida coercitivamente ao fórum após não comparecer para prestar depoimento. A defesa desistiu de ouvi-la, mas a juíza Melanie Liesenberg determinou que Giovanna pagasse multa equivalente a dez salários mínimos após ser retirada do plenário por fazer gestos durante uma testemunha. Uma das juradas também passou mal no segundo dia, provocando interrupção temporária dos trabalhos.
A defesa tentou afastar a tese de dolo eventual e sustentou que o acidente poderia ter sido provocado por falha mecânica no Porsche, buscando a desclassificação para homicídio culposo, quando não há intenção de matar nem assunção do risco. A tese não foi acolhida pelos jurados. O acidente ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, domingo de Páscoa, na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Fernando Sastre dirigia um Porsche 911 quando atingiu violentamente a traseira de um Renault Sandero conduzido por Ornaldo da Silva Viana. Segundo a perícia, o Porsche trafegava a aproximadamente 156 quilômetros por hora momentos antes da colisão, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 50 quilômetros por hora. O veículo de Ornaldo ficou completamente destruído e o motorista morreu em consequência dos ferimentos. Marcus Vinícius sofreu ferimentos graves e precisou de tratamento médico. Após o acidente, Sastre deixou o local acompanhado da mãe, Daniela Andrade, sem realizar o teste do bafômetro. Durante o julgamento, a policial militar responsável por permitir a saída do empresário afirmou que se sentiu enganada pela mãe dele, já que acreditava que os dois seguiriam para um hospital. O caso levou o Ministério Público de São Paulo a denunciar Sastre por homicídio qualificado com dolo eventual e lesão corporal. O empresário estava preso preventivamente desde 2024 e aguardava o julgamento pelo Tribunal do Júri.