Festas sem celular: como transformar aniversários em experiências reais para as crianças

Especialista em recreação infantil explica por que o brincar dirigido tem sido a principal estratégia das famílias para reduzir o uso de telas em festas

Celular e tablet desligados, crianças em movimento e risadas espalhadas pela casa ou pelo salão. O cenário, que parecia improvável há alguns anos, tem se tornado cada vez mais comum em aniversários infantis. As chamadas festas sem telas vêm ganhando espaço entre famílias preocupadas com o excesso da tecnologia e com a dificuldade das crianças, especialmente as maiores, de se desconectarem do mundo digital.

Para a psicopedagoga Daniele Lacerda Poploski, fundadora da UniDanitê, empresa especializada em recreação infantil, o segredo está menos na proibição e mais na qualidade da experiência oferecida. “Quando a festa é bem pensada, o celular deixa de ser atraente. A criança se envolve, participa, cria e interage. Não é sobre tirar as telas, é sobre oferecer algo melhor”, explica.

Com mais de uma década de experiência em recreação, Daniele aponta alguns elementos que fazem diferença para manter as crianças longe das telas durante as comemorações:

  • Atividades pensadas para o perfil da turma: idade, interesses e dinâmica do grupo influenciam diretamente no sucesso da festa.

  • Brincadeiras em grupo, que estimulam cooperação e interação, especialmente importantes para crianças maiores.

  • Oficinas criativas, como artes, slime, culinária ou robótica, que mantêm as crianças concentradas e orgulhosas do que criam.

  • Desafios e jogos com começo, meio e fim, evitando o tédio e a dispersão.

“A maior queixa dos pais é que crianças acima de oito anos se entediam rápido. Por isso, não dá para repetir a mesma receita. Cada festa precisa ser desenhada sob medida”, afirma a especialista. Esse olhar atento à individualidade é a base do trabalho da UniDanitê, que atua com recreação personalizada para festas, eventos, encontros de amigos e turmas escolares. O portfólio reúne mais de 40 oficinas autorais e dinâmicas adaptáveis, sempre conduzidas por recreadores treinados para mediar experiências, e não apenas entreter. “O recreador não está ali para ‘animar’, mas para observar, conduzir e incluir. Assim, nenhuma criança fica de fora e o grupo permanece engajado”, explica Daniele.

Inspirada por abordagens como o Construtivismo e a pedagogia Reggio Emilia, a proposta valoriza o brincar como ferramenta de desenvolvimento social, emocional e cognitivo. “O brincar é o caminho mais natural para a criança se expressar e criar vínculos. Quando isso acontece, a tela perde espaço”, resume.

Mais do que uma tendência pontual, as festas sem celular refletem uma mudança no olhar das famílias sobre a infância. “Os pais estão percebendo que momentos simples, bem conduzidos e cheios de significado ficam na memória das crianças. E é isso que elas levam para a vida”, conclui Daniele.

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