Advogados da campanha de Trump para reverter eleição lideram negociações para obra de US$ 200 milhões na Bósnia
Representantes da campanha de Trump lideram discussões para um gasoduto europeu de US$ 200 milhões, visando reduzir dependência russa.
Gasoduto na Europa pode reduzir dependência energética russa na Bósnia
Figuras ligadas a Donald Trump lideram as negociações para o projeto do Southern Gas Interconnection, um gasoduto europeu orçado em US$ 200 milhões, que visa conectar a Bósnia a um terminal de gás liquefeito na Croácia. Esta iniciativa, ocorrendo na semana de 16 de janeiro de 2026, busca diminuir a forte dependência da Bósnia do gás russo, um desafio energético e político da região dos Bálcãs. Jesse Binnall e Joe Flynn, advogados que participaram da campanha de Trump para contestar o resultado da eleição de 2020, estão à frente das tratativas com autoridades locais. A empresa AAFS Infrastructure and Energy, que eles representam, foi criada recentemente no estado de Wyoming e ainda não recebeu a confirmação do contrato. O projeto possui potencial para alterar significativamente o equilíbrio energético e geopolítico da região e reforçar a presença americana nos Bálcãs.
Perfil dos principais envolvidos no contrato do gasoduto
Jesse Binnall tem histórico na defesa das alegações infundadas da campanha de Donald Trump sobre fraudes eleitorais. Além disso, ele atuou na defesa legal relacionada à invasão do Capitólio em 2021. Joe Flynn, irmão do ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn, também é figura chave na negociação. Michael Flynn, que foi condenado por mentir ao FBI e posteriormente perdoado por Trump, atualmente apoia lideranças pró-Rússia na Bósnia, como Milorad Dodik, evidenciando um cenário complexo de interesses divergentes dentro do círculo de influências ligado a Trump. Essa interseção entre política, família e negócios revela as múltiplas camadas das tentativas americanas de influenciar os rumos geopolíticos da Europa Oriental.
O contexto geopolítico e a importância do Southern Gas Interconnection
O gasoduto Southern Gas Interconnection possui 146 milhas de extensão e sua construção é uma iniciativa para reduzir a dependência do gás russo na região dos Bálcãs, bastante vulnerável às pressões de Moscou. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, a Europa tem buscado alternativas energéticas para diversificar suas fontes. A Bósnia, um dos poucos países da região altamente dependente do gás russo, verá no projeto uma oportunidade estratégica para maior segurança energética e autonomia. A conexão ao terminal croata permitirá que a Bósnia importe gás liquefeito dos Estados Unidos e outros fornecedores, diminuindo a influência russa e fortalecendo alianças políticas regionais.
Desafios e controvérsias envolvendo a empresa americana AAFS Infrastructure and Energy
A AAFS Infrastructure and Energy, empresa americana que busca o contrato bilionário para construir e operar o gasoduto, apresenta um histórico questionável e recente. Constituída há apenas dois meses em Wyoming, a empresa não possui experiência comprovada no setor energético ou em infraestrutura de grande escala. Seu site destaca uma equipe com “décadas de experiência combinada”, sem divulgar nomes ou qualificações específicas, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade operacional. Mesmo assim, a diplomacia americana tem oferecido apoio institucional às negociações, o que evidencia uma estratégia de influência econômica e política. Essa combinação de interesses privados e diplomáticos pode gerar desafios na execução e aceitação do projeto.
Implicações políticas internas e relações familiares no tabuleiro dos Bálcãs
A atuação de Joe Flynn na negociação do gasoduto contrasta com a postura de seu irmão Michael Flynn, que defende lideranças bósnias alinhadas à Rússia, como Milorad Dodik. Dodik, conhecido por seu discurso nacionalista e aliado próximo de Vladimir Putin, foi objeto de sanções americanas suspensas por Donald Trump em 2025. Essa divisão dentro do círculo próximo do ex-presidente revela as complexidades das alianças políticas e econômicas na região, onde interesses familiares e estratégicos se entrelaçam. Além disso, os esforços comerciais recentes da família Trump nos Bálcãs, como a tentativa frustrada de construir a Trump Tower em Belgrado, demonstram a persistência da influência americana em múltiplas frentes, ainda que enfrentando resistência local.
Perspectivas para o futuro do gasoduto e da influência americana na Bósnia
O Southern Gas Interconnection representa um projeto de grande impacto para a segurança energética da Bósnia e para os esforços dos Estados Unidos em conter a influência russa nos Bálcãs. Se consolidado, poderá atuar como um catalisador para investimentos e integração regional. Contudo, o sucesso do empreendimento dependerá da capacidade da AAFS Infrastructure and Energy em superar seu histórico incipiente, e da manutenção do apoio político tanto em solo americano quanto na Bósnia. Autoridades locais reafirmaram recentemente o compromisso em acelerar a implementação do projeto, indicando vontade política favorável. O desenrolar dessa negociação evidenciará as dinâmicas entre interesses econômicos privados e estratégias geopolíticas globais.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: RooM the Agency/Alamy
