A expiração do tratado New START e suas implicações geopolíticas.
O tratado New START, fundamental para o controle de armas nucleares, está prestes a expirar sob a administração de Trump.
O mundo se aproxima de um momento crítico. Na próxima quinta-feira, o tratado New START, o último acordo significativo de controle de armas nucleares, expirará. Este tratado, que tem sido a base para a regulação do arsenal nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia desde 2011, será deixado de lado pela administração de Donald Trump, que agora minimiza suas implicações ao afirmar que, se expirar, simplesmente expira.
A História do Controle de Armas Nucleares
O New START, que limita o número de armas nucleares estratégicas que cada país pode possuir, é o resultado de um longo processo de negociações que remonta às décadas de 1960 e 1970, com os Acordos de Limitação de Armas Estratégicas (SALT). O SALT I, assinado em 1972, foi um marco que limitou não apenas a quantidade de armas, mas também as pesquisas em defesa antimísseis. Com o fim da Guerra Fria, as negociações evoluíram para reduções efetivas de arsenais, culminando em acordos como o New START, que estabeleceu limites mais rigorosos e mecanismos de verificação.
Porém, com o advento da administração Trump, a retórica em torno do controle de armas mudou significativamente. O atual presidente, cercado por conselheiros que veem tratados de controle de armas como restrições à soberania americana, parece estar disposto a abrir mão de décadas de progresso diplomático. Isso é alarmante, uma vez que o New START não é apenas um acordo; ele representa um pacto de confiança entre duas superpotências nucleares que, em um passado não tão distante, estavam à beira de um confronto militar.
Detalhes da Situação Atual
Embora a Rússia tenha suspendido sua participação nas atividades do tratado em um movimento que se relaciona à crise na Ucrânia, o governo russo expressou interesse em prolongar os limites do New START por mais um ano. Essa oferta, no entanto, não foi levada a sério pela administração Trump, que parece mais interessada em expandir o arsenal nuclear do que em manter a estabilidade.
As implicações de não renovar o tratado são vastas. Sem um acordo em vigor, tanto os EUA quanto a Rússia poderiam iniciar uma nova corrida armamentista, uma perspectiva que muitos especialistas em segurança consideram desnecessária e perigosa. Na verdade, a capacidade nuclear dos EUA já é mais do que suficiente para dissuadir tanto a Rússia quanto a China — um ponto que a administração atual parece ignorar.
O Futuro das Armas Nucleares
A ausência de um tratado de controle de armas não apenas abre a porta para a expansão dos arsenais nucleares, mas também compromete as relações diplomáticas entre países que historicamente foram adversários. O controle de armas nucleares não se resume apenas a limitar números; ele envolve reuniões regulares, inspeções e trocas de informações que ajudam a construir confiança e prevenir crises. Sem isso, o mundo se torna um lugar mais instável e perigoso.
O desejo de Trump de incluir a China em qualquer novo acordo de armas é visto como uma jogada política que, na prática, pode inviabilizar qualquer renovação do New START. A inclusão de um terceiro país torna as negociações exponencialmente mais complexas, afastando ainda mais a possibilidade de um acordo.
Conclusão
A expiração do New START sob a administração de Trump representa não apenas uma falha em manter um tratado importante, mas também um convite ao caos geopolítico. A história nos mostrou que a estabilidade internacional é construída não só sobre números, mas sobre compromissos e a vontade de evitar um cataclismo nuclear. Ignorar essas lições pode levar a consequências irreversíveis, e o tempo para agir é agora.
Fonte: www.theatlantic.com
Fonte: Matteo Giuseppe Pani / The Atlantic. Sources