Fim da escala 6×1 deve ser votado ainda no primeiro semestre

MICHAEL MELO/METRÓPOLES @michaelmelo

Governo projeta votação na Câmara para reduzir jornada com escala máxima de 5×2

Governo espera votação da proposta para acabar com escala 6×1 até o fim do primeiro semestre, com redução da jornada para 40 horas semanais e escala máxima de 5×2.

O governo federal, por meio do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSol-SP), sinalizou que o fim da escala de trabalho 6×1 deve ser votado na Câmara dos Deputados até o final do primeiro semestre. A proposta visa modificar a jornada de trabalho atual, estabelecendo uma escala máxima de 5×2, além de limitar a carga horária semanal em 40 horas, contra as 44 horas atualmente vigentes, sem redução salarial.

Proposta de redução da jornada e impactos

A iniciativa contempla três pontos centrais: a substituição da escala 6×1 pela 5×2, a redução da jornada semanal para até 40 horas e a manutenção do salário atual dos trabalhadores, evitando prejuízos financeiros. Guilherme Boulos destacou a importância de um modelo de transição para permitir que os pequenos empresários se adaptem às novas regras, reconhecendo diferenças entre a capacidade de grandes e pequenos empregadores para absorver essa mudança.

“Uma coisa é o megaempresário, esse tem todas as condições de absorver o fim da escala 6×1 rapidamente. Outra coisa é o pequeno, para quem estamos dispostos a desenvolver um modelo de transição junto ao Congresso”, afirmou o ministro.

Avanço da pauta na Câmara dos Deputados

O avanço do projeto foi discutido em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reforçando o compromisso de pautar o tema ainda neste semestre. A agenda legislativa também prevê a discussão da regulamentação do trabalho por aplicativo, tema que deve ser debatido com o relator Augusto Coutinho (Republicanos-PE) no início de fevereiro, com a expectativa de votação ainda em 2026.

Regulamentação do trabalho por aplicativo

Boulos criticou as altas taxas de retenção cobradas pelas plataformas digitais, como a Uber, que chegam a ficar com até 50% do valor das corridas. Ele qualificou essas cobranças como “exploração do trabalhador” e defendeu a necessidade de equilibrar a relação entre empresas e profissionais que atuam por meio desses aplicativos.

“Nenhum outro setor da economia cobra taxas tão abusivas. Não estamos contra que as empresas tenham lucro, mas isso é extorsão e precisamos corrigir essa distorção”, ressaltou.

A regulamentação prevista deverá estabelecer regras mais claras para assegurar direitos aos trabalhadores de aplicativos, buscando maior justiça nas condições de trabalho e remuneração.

Perspectivas e próximos passos

Com o governo articulando a pauta e a expectativa positiva na Câmara, a votação do fim da escala 6×1 e da regulamentação do trabalho por aplicativo emerge como prioridade legislativa para o primeiro semestre de 2026. A implementação dessas mudanças poderá impactar significativamente as relações de trabalho no país, especialmente na redução das jornadas extenuantes e na proteção dos profissionais do setor digital.

![Guilherme Boulos e entrevistado no estúdio do Metrópoles](https://www.metropoles.com/wp-content/uploads/wp-content/uploads/2025/11/27094610/Guilherme-Boulos-e-entrevistado-no-estudio-do-Metropoles-19-1200×800.jpg)
Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES @michaelmelo

Fonte: www.metropoles.com

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