Fim da guerra da Ucrânia depende do equilíbrio entre EUA e Rússia

Arte Metrópoles/Gabriel Lucas

Negociações trilaterais em Abu Dhabi indicam mudanças estratégicas no conflito ucraniano

Negociações entre Ucrânia, EUA e Rússia em Abu Dhabi marcam possível avanço no fim da guerra da Ucrânia, ainda travada pela questão territorial.

A guerra da Ucrânia, que em breve completará quatro anos, dá sinais de uma possível inflexão no conflito com o início de negociações trilaterais entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia. Essas conversas, realizadas nos Emirados Árabes Unidos, marcam um momento histórico desde o começo do conflito em larga escala e indicam que o fim da guerra da Ucrânia pode estar cada vez mais vinculado ao equilíbrio de forças entre as potências envolvidas.

Reunião inédita e o contexto das negociações

Pela primeira vez, representantes dos três países sentaram-se à mesma mesa para discutir um cessar-fogo duradouro. A iniciativa é liderada pelos Estados Unidos, que assumem papel de protagonismo na busca por uma solução diplomática, após anos predominando a lógica militar no conflito. Apesar do simbolismo e da esperança gerada pelo encontro, as negociações permanecem travadas em um ponto crucial: a disputa territorial no leste da Ucrânia.

A questão territorial como ponto de impasse

Atualmente, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente, incluindo áreas estratégicas como Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia. Moscou exige que Kiev renuncie oficialmente às reivindicações sobre essas regiões, anexadas após referendos questionados pela comunidade internacional. A Ucrânia rejeita essa demanda, embora tenha aberto a possibilidade de discutir concessões por meio de referendos internos, sem, no entanto, reconhecer a soberania russa sobre esses territórios.

A assimetria de poder e interesses das potências

Especialistas apontam que o novo formato de negociação revela uma assimetria clara entre os envolvidos. Enquanto a Rússia e os Estados Unidos detêm maior poder militar e econômico, a Ucrânia enfrenta fragilidades acumuladas ao longo do conflito. Para analistas como Victor Missiato, o estabelecimento do diálogo trilateral já indica uma possível transição para etapas finais do conflito, mas também destaca que Washington pressiona Kiev como parte de uma estratégia mais ampla para restaurar relações com Moscou e garantir seus interesses geopolíticos.

Estratégias russas e o papel militar nas negociações

A delegação russa, predominantemente militar, sinaliza que Moscou pretende consolidar seu controle das regiões ocupadas, buscando um congelamento do conflito a seu favor. O Kremlin mantém uma postura rígida, afirmando que não há base para um acordo duradouro sem a resolução da questão territorial, e continua perseguindo seus objetivos no campo de batalha enquanto não houver concessões concretas.

Implicações geopolíticas e futuras perspectivas

O cenário global acompanha uma crescente valorização do poder militar e das zonas de influência, em detrimento de soluções multilaterais. A recente patrulha de bombardeiros russos sobre o Mar Báltico demonstra essa dinâmica e a tensão subjacente às negociações. Assim, o desfecho do conflito dependerá não apenas das conversas em Abu Dhabi, mas do equilíbrio de forças entre Estados Unidos e Rússia, que moldarão os rumos da guerra e da paz na Ucrânia.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Arte Metrópoles/Gabriel Lucas

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