Avaliação rebaixada destaca dificuldades financeiras da varejista
A Fitch Ratings rebaixou o rating do GPA para 'CCC(bra)', alertando sobre riscos financeiros significativos.
A Fitch Ratings emitiu uma nota significativa ao rebaixar o rating de crédito do GPA (PCAR3) para ‘CCC(bra)’, na noite desta segunda-feira. Essa decisão, resultado de uma análise rigorosa da saúde financeira da companhia, elimina a observação negativa anterior, mas acentua o risco elevado de refinanciamento que a varejista enfrenta. No comunicado, a Fitch destacou que a empresa opera sob um cronograma de vencimentos apertado, com aproximadamente R$ 1,7 bilhão em dívidas a vencer entre maio e julho de 2026. Esse montante não se alinha adequadamente ao atual perfil financeiro da companhia, levando a agência a questionar a sustentabilidade de suas operações.
Desafios financeiros e histórico
O rebaixamento do GPA não se dá apenas por fatores pontuais. A Fitch apontou uma combinação de liquidez pressionada e uma geração de caixa negativa como os principais motores dessa mudança. O relatório elaborado pela agência, sob a liderança do analista Renato Donatti, afirma que a expectativa é de fluxos de caixa livre negativos a médio prazo, a menos que haja uma redução significativa na dívida atual. Essa situação é alarmante, considerando que a empresa já possui um caixa de R$ 2 bilhões que deve ser consumido rapidamente no início de 2026 para atender a obrigações com fornecedores e cobrir um fluxo de caixa livre negativo.
Além disso, a Fitch projeta um fluxo de caixa livre negativo de 2,8% da receita líquida em 2026 e 1,6% em 2027, pressionado por altos desembolsos com juros e encargos trabalhistas e tributários. A situação se agrava pela alavancagem da empresa, que deve permanecer elevada, com dívidas ajustadas em relação ao Ebitdar próximas de 4,8 vezes. O rebaixamento do rating do GPA o coloca em uma posição vulnerável em comparação a seus concorrentes, como Assaí (ASAI3) e Grupo Oba, que apresentam ratings significativamente superiores.
Mudanças na estrutura acionária
A Fitch também mencionou mudanças recentes na estrutura acionária do GPA, com a família Coelho Diniz adquirindo 24,6% do capital e ocupando metade do conselho de administração. Enquanto isso, o grupo francês Casino mantém uma participação de 22,5%. Essa nova configuração pode influenciar as decisões estratégicas da companhia, embora a Fitch afirme ter “visibilidade limitada” sobre a estratégia de longo prazo do GPA. No entanto, medidas de revisão de investimentos e racionalização de despesas foram vistas como um passo positivo pelo mercado.
Perspectivas futuras e impactos
Os desafios enfrentados pelo GPA se inserem em um contexto econômico mais amplo. O consumo alimentar, por exemplo, está sob pressão devido à inflação acumulada de 30% desde 2021 e ao alto endividamento das famílias. A Fitch projeta um crescimento modesto das vendas em mesmas lojas de 3,2% para 2026 e 2027, sem novas aberturas de lojas previstas nos próximos três anos. Essa realidade exige que o GPA não apenas melhore sua liquidez, mas também reduza sua alavancagem e gere caixa positivamente para evitar um novo rebaixamento. Um fortalecimento sustentável da liquidez e a possibilidade de vendas de ativos podem ser soluções viáveis, mas a incerteza persiste, e a situação continua a exigir monitoramento cuidadoso.
Por último, a Fitch alerta que os ratings do GPA podem ser rebaixados novamente caso a empresa inicie um processo de inadimplência ou busque reestruturação de dívidas em condições desfavoráveis. Essa tensão constante evidencia a fragilidade da posição do GPA no competitivo mercado de varejo brasileiro.
Fonte: www.moneytimes.com.br