Senador afirma que Macron só vem ao Brasil para 'tirar foto'
Flávio Bolsonaro critica Lula e Macron, chamando visita do francês de superficial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou uma polêmica ao criticar os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Emmanuel Macron (França) em uma entrevista à emissora CNews. Durante a conversa, Flávio declarou que o Brasil “não aguenta” o governo de Lula, caracterizando-o como de “extrema esquerda”, e fez críticas ao governo francês, afirmando que a França é incapaz de suportar um governo de “extrema incompetência”, referindo-se a Macron.
A relação entre Brasil e França
O descontentamento entre Brasil e França não é algo novo. A relação bilateral deteriorou-se especialmente durante a administração de Jair Bolsonaro, que frequentemente trocou farpas públicas com Macron, particularmente em relação à Amazônia. A visita de Macron ao Brasil, segundo Flávio Bolsonaro, teria como objetivo apenas “tirar foto”, desprezando a questão ambiental e as obras de preservação na Amazônia, uma parte da floresta que se estende até a Guiana Francesa.
Flávio defendeu a gestão de seu pai, afirmando que o governo Bolsonaro preservou a Amazônia, enquanto, segundo ele, Lula deixou a floresta em um estado crítico, com três anos consecutivos de recordes em queimadas. No entanto, essas afirmações não se sustentam frente aos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostram uma queda de 11,08% no desmatamento em 2025, contradizendo a narrativa de que Lula teria sido um péssimo gestor ambiental.
Dados sobre o desmatamento
Os números do desmatamento na Amazônia ao longo dos últimos anos revelam uma trajetória que desafia a defesa de Flávio. De acordo com o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), o cenário foi o seguinte:
2024-2025: 7.235,27 km²
2023-2024: 8.136 km²
2022-2023: 9.064 km²
2021-2022: 11.568 km²
- 2020-2021: 13.000 km²
Essas estatísticas mostram que o pior resultado aconteceu entre 2020 e 2021, quando Jair Bolsonaro estava no poder. A má gestão ambiental durante sua administração foi um fator crucial nas tensões entre os dois países, exemplificado por um episódio específico em que Bolsonaro ofendeu Macron ao comparar sua esposa, Michelle, com Brigitte Macron nas redes sociais.
Consequências políticas
As declarações de Flávio Bolsonaro não apenas revelam a tensão existente entre as lideranças políticas, mas também fazem parte de um discurso maior que visa deslegitimar os governos adversários. Com as eleições presidenciais se aproximando, a retórica política se intensifica e a polarização entre os apoiadores de Bolsonaro e Lula tende a aumentar. A posição de Flávio, colocando-se como um defensor da Amazônia sob a gestão de seu pai, pode ser vista como uma tentativa de manter a base de apoio, enquanto se distorce dados para reforçar uma narrativa conveniente. A crítica a Macron, além de ser uma forma de ataque político, também reflete a insatisfação com as intervenções internacionais nas políticas ambientais do Brasil, criando um ciclo de desconfiança que pode afetar futuras relações diplomáticas.
Toda essa dinâmica mostra como as questões ambientais, sociais e políticas estão interligadas no Brasil atual, especialmente à medida que o país busca um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Fonte: www.metropoles.com