O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou neste domingo (25/10), depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não reconhecerá o resultado da eleição. A afirmação diverge do compromisso que ele próprio havia assumido durante a campanha de respeitar o desfecho da disputa, mesmo em caso de derrota.
Em 16 de outubro, durante sabatina da TV Globo, Flávio disse: "Vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, vou respeitar". O compromisso foi repetido em 2 de agosto, no programa Canal Livre, da BandNews, quando afirmou: "Eu vou aceitar, vou concorrer com essas regras". Na ocasião, declarou acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seria imparcial e conduziria uma eleição com segurança e transparência.
Como justificativa para rejeitar o resultado, o senador citou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou o horário de votação até as 19h em todo o país. O encerramento estava previsto para as 17h. "Nós vamos usar o nosso jurídico para pedir a anulação dessas eleições", afirmou após a divulgação do resultado, classificando como "impossível" reconhecer a eleição nas condições em que a votação ocorreu.
A própria campanha de Flávio havia solicitado ao TSE mais duas horas para eleitores de municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul votarem, com horário pretendido de 19h. A equipe apontou chuvas, alagamentos e bloqueios de estradas que dificultavam a chegada às urnas. Foram duas ações para estender o período em cinco estados, além de atrasar a divulgação dos resultados para depois das 19h. A decisão de Zanin, no entanto, estendeu a votação em todo o território nacional.
No primeiro turno, Flávio terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos foi revertida no segundo turno. Nos dados das 22h03, Lula somava 64,2 milhões de votos, ou 51,78%, ante 59,8 milhões do senador, com 48,22%.