FMI afirma que Bolsa Família não desincentiva mulheres no trabalho

Análise do Fundo Monetário Internacional destaca fatores que afetam a participação feminina

O FMI conclui que o Bolsa Família não reduz a participação feminina no mercado de trabalho, mas a disparidade salarial impacta.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um relatório que contradiz a crença comum de que o Bolsa Família diminui a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. O estudo, assinado pela economista Bunyada Laoprapassorn, aponta que, em geral, o programa não tem um efeito negativo sobre a inserção feminina no emprego. No entanto, ressalta que para mulheres com filhos menores de seis anos, há uma associação entre o benefício e uma menor taxa de participação no trabalho.

Contexto sobre o Bolsa Família e a participação feminina

O Bolsa Família é um programa de transferência de renda que atualmente beneficia cerca de 50 milhões de pessoas no Brasil, com um valor médio de R$ 680 por família. Este programa é crucial para a segurança alimentar e social de muitas famílias brasileiras, mas também levanta questões sobre o incentivo à participação no mercado de trabalho. O FMI observou que a disparidade salarial de gênero — com as mulheres ganhando, em média, 22% menos do que os homens — pode ser um fator que desencoraja a busca por emprego, especialmente entre aquelas que já recebem o benefício.

Historicamente, as desigualdades de gênero no Brasil têm sido um desafio persistente. As mulheres, frequentemente encarregadas da responsabilidade pela casa e filhos, podem optar por não entrar no mercado ou por se manterem em empregos que oferecem salários mais baixos e menos segurança. O relatório do FMI sugere que a disparidade salarial pode ser um desincentivo significativo, levando mulheres a priorizar o cuidado dos filhos sobre a busca de oportunidades de trabalho remunerado.

Detalhes da avaliação do FMI

O relatório do FMI também destaca que, nas últimas décadas, a taxa de desemprego no Brasil caiu para níveis que não eram vistos há 25 anos. No entanto, essa recuperação não tem sido igualmente benéfica para homens e mulheres. As mulheres ainda estão sendo deixadas para trás na recuperação econômica, refletindo uma diferença significativa nas taxas de participação no mercado de trabalho. O FMI sugere que, para fomentar uma recuperação econômica mais inclusiva, é essencial reduzir essa diferença de participação de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, o que poderia aumentar o crescimento econômico do país em até 0,5% ao ano.

Futuro e possíveis soluções para desigualdade

O FMI propõe algumas medidas que poderiam ajudar a reduzir a desigualdade de gênero no trabalho. Entre as sugestões estão ajustes nas regras do Bolsa Família, de modo a eliminar desincentivos para mulheres que buscam oportunidades de trabalho formal. Além disso, a ampliação do acesso a serviços de creche e assistência a idosos, a revisão das políticas de licença parental e a implementação eficaz da Lei da Igualdade Salarial são recomendadas como passos essenciais para promover maior equidade no mercado de trabalho.

Conclusão

O estudo do FMI oferece uma visão importante sobre a interação entre suporte financeiro e participação no mercado de trabalho. A ênfase na necessidade de abordar as disparidades salariais é um chamado para que as políticas públicas brasileiras sejam reformuladas com um olhar mais atento às questões de gênero, visando não apenas a inclusão, mas também a valorização da força de trabalho feminina.

Fonte: www.moneytimes.com.br

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: