Fungo cordyceps transforma tarântula em zumbi na Amazônia

Reprodução/Elisandro Ricardo Drechsler-Santos

Descoberta inédita de tarântula-golias infectada pelo fungo Cordyceps caloceroides impressiona pesquisadores

Pesquisadores brasileiros e dinamarqueses descobrem tarântula-golias na Amazônia infectada pelo fungo Cordyceps, que a torna zumbi, revelando fenômeno natural surpreendente.

Durante uma expedição realizada em janeiro de 2026 na Reserva Ducke, localizada próxima a Manaus, pesquisadores brasileiros e dinamarqueses fizeram uma descoberta surpreendente: uma tarântula-golias (Theraphosa blondi) infectada pelo fungo Cordyceps caloceroides, que a transforma em um verdadeiro ‘zumbi’. Essa ocorrência natural, documentada em vídeo pelo pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, chamou atenção por seu paralelismo com fenômenos fictícios, como retratado na série The Last of Us.

Achado na Amazônia

A estudante Lara Fritzsche, da Universidade de Copenhague (UCPH), encontrou o exemplar durante um curso intensivo de micologia organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da UCPH. A tarântula, de coloração marrom-dourada, apresentava a superfície corporal coberta por um fungo de tom alaranjado, indicando o estágio avançado da infecção.

Modo de ação do fungo Cordyceps

O Cordyceps caloceroides pertence a um grupo de fungos parasitas especializados em artrópodes, como insetos e aranhas. Ao entrar no organismo da vítima por meio de esporos, o fungo invadiu e sequestrou o sistema nervoso e muscular da tarântula, assumindo o controle de seus movimentos. Enquanto isso, ele consumia os tecidos internos para se alimentar e crescer. Após a morte do hospedeiro, o fungo completa seu ciclo ao consumir o que resta do corpo e liberar novos esporos no ambiente, prontos para infectar outras presas.

Implicações e segurança

Apesar da semelhança com o fungo fictício apresentado em produções culturais, o Cordyceps caloceroides atua especificamente em artrópodes e não oferece risco de infecção para humanos. Especialistas ressaltam que o sistema imunológico humano é altamente eficaz contra esse grupo de fungos, descartando qualquer possibilidade de uma ameaça similar a um ‘apocalipse zumbi’ como imaginado na ficção.

Biodiversidade e estudos futuros

Essa descoberta reforça a complexidade das interações ecológicas presentes na floresta amazônica e amplia a compreensão científica sobre fungos parasitas e seus hospedeiros. O registro inédito oferece uma base importante para futuras pesquisas em micologia e parasitologia, além de evidenciar a riqueza biológica ainda pouco explorada da região.

A comunidade científica segue atenta a esses fenômenos naturais, que desafiam o entendimento tradicional e inspiram tanto a ciência quanto a cultura popular.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Reprodução/Elisandro Ricardo Drechsler-Santos

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