O goleiro Gabriel Brazão se tornou um novo desafio para o Santos fora das quatro linhas. Na última sexta-feira (29/5), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu aplicar uma suspensão de quatro partidas ao jogador, além de uma multa de R$ 4 mil, em decorrência de declarações feitas contra a arbitragem após a partida contra o Palmeiras, válida pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. A decisão, que foi tomada em primeira instância, permite que o clube recorra.
O caso se originou de uma entrevista concedida por Brazão logo após o clássico, onde ele comentou sobre um cartão amarelo que recebeu. O goleiro questionou a atuação do árbitro Raphael Claus, o que gerou repercussão negativa. “Erro foi meu”: Neymar assume lance que abriu derrota e queda do Santos no Paulistão
Na ocasião, Brazão afirmou que acreditava que o cartão amarelo foi indevido. “Eu acho que o Claus foi bem criterioso ali pela torcida, e tudo. Eu acho que, no meu ver, não merecia. Tanto que, quando eu ia tocar a bola, o Flaco tava dentro da área, isso não pode e eu avisei ele, e logo após que eu tocar, ele me dá um amarelo”, relatou o jogador.
Além de criticar a decisão, o goleiro também afirmou que a arbitragem poderia estar influenciada pelo ambiente do estádio. “Então, é complicado isso, mas como eu disse, isso aí é questão de arbitragem, não cabe a mim dizer se é certo ou não, mas eu acho que ele foi bem criterioso, por tá na casa do Palmeiras a gente sabe que na dúvida é sempre eles”, adicionou.
As declarações de Brazão geraram uma denúncia com base no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que aborda ofensas à honra no contexto esportivo. Durante o julgamento, a defesa do goleiro argumentou que as falas eram críticas esportivas e não uma ofensa à equipe de arbitragem. O advogado Marcelo Mendes, que representou Brazão, ressaltou que o contexto das declarações deveria ser considerado pelos auditores.
O auditor Rafael Bozzano, ao fundamentar seu voto, enfatizou a importância da imparcialidade da arbitragem nas competições. Ele afirmou que as acusações de favorecimento ao mandante atingem diretamente a honra do árbitro. “O árbitro é a autoridade que simboliza a imparcialidade e a neutralidade dentro de campo e tem a sua honra objetiva diretamente atingida quando se afirma publicamente que as suas decisões, na dúvida, favorecem sistematicamente o mandante”, destacou.