Banco Central se prepara para mudanças na política monetária, mas sem pressa
Banco Central sinaliza cortes na Selic, mas adota postura cautelosa.
A postura cautelosa do Banco Central
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, fez uma analogia interessante ao descrever a atuação da instituição, comparando-a a um transatlântico em vez de um jet ski, para ilustrar a necessidade de mudanças graduais na política monetária. Durante o CEO Conference do BTG Pactual, realizado em São Paulo, ele destacou que o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por uma abordagem mais conservadora ao sinalizar que os cortes na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, devem começar em março.
A decisão de esperar 45 dias antes de iniciar esse ciclo de cortes reflete a intenção do Banco Central de reunir mais confiança e dados econômicos robustos antes de agir. Galípolo afirmou que a calibragem da política monetária visa garantir uma transição segura e responsável, evitando decisões apressadas. Ele enfatizou: “Serenidade significa que o BC está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Temos que separar o que é ruído do que é sinal”.
Contexto da taxa Selic e a meta de inflação
A taxa Selic é uma ferramenta crucial na condução da política monetária brasileira, afetando diretamente o custo do crédito e a inflação. A alta taxa de juros no Brasil, conforme Galípolo, está intimamente ligada às dificuldades históricas de manter a inflação dentro das metas estabelecidas. Ao refletir sobre a meta de inflação, ele reafirmou que ela está alinhada com os padrões internacionais, apoiando a narrativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Galípolo também abordou a questão do mercado de trabalho, que enfrenta desafios estruturais desde a pandemia de Covid-19, refletindo uma quebra significativa na dinâmica do emprego. O presidente do BC alertou que, embora algumas das dificuldades possam ser abordadas pela política monetária, muitas delas requerem intervenções que vão além do alcance do Banco Central.
Expectativas futuras
Embora a maioria do mercado aposte em um corte inicial de 50 pontos-base na Selic, Galípolo foi claro ao afirmar que as decisões futuras dependerão da evolução dos dados econômicos. Ele ressaltou que o Banco Central não permitirá que considerações políticas influenciem sua política monetária, mantendo um foco rigoroso nas evidências e nas condições econômicas. A sua posição é de que qualquer ação deve ser cuidadosamente ponderada, visando a estabilidade a longo prazo da economia brasileira.
Conclusão
A abordagem cautelosa do Banco Central, conforme exposta por Galípolo, reflete uma tentativa de equilibrar a necessidade de estímulo econômico com a responsabilidade fiscal. A expectativa é de que, ao iniciar o ciclo de cortes na Selic, a instituição consiga promover um ambiente econômico mais estável, embora, ao mesmo tempo, uma vigilância contínua seja necessária para garantir que as medidas adotadas não comprometam as metas inflacionárias do país.
Fonte: www.moneytimes.com.br