O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, requisitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigação do Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por possível abuso de autoridade. A demanda surge após Vieira ter sugerido o indiciamento de ministros do STF — incluindo Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes — por crimes de responsabilidade, em um relatório final da CPI do Crime Organizado, que foi rejeitado por 6 votos a 4.
Mendes enfatizou a rejeição do relatório pela comissão e a nota divulgada pelo presidente do STF, Luiz Edson Fachin, que manifestou apoio aos colegas e criticou o documento de Vieira. O ofício foi enviado ao procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também mencionado no relatório, e a análise ficará a cargo de Gonet, que é responsável por casos envolvendo senadores.
No ofício, Gilmar Mendes explicou que a CPI foi estabelecida em novembro de 2025 com o objetivo de investigar a repressão e prevenção da criminalidade organizada, abordando temas como milícias e lavagem de ativos. Contudo, ele alegou que o foco original da investigação foi distorcido.
Para Mendes, o relatório de Vieira apresenta três indícios de abuso. Primeiro, ele afirma que a proposta não possui respaldo em dados concretos. Em segundo lugar, a proposição não SE alinha com o escopo inicial da CPI. Por fim, as alegações contidas no relatório não SE enquadram nas áreas penal e processual penal, mas sim na administrativa.
Durante uma sessão do Senado Federal, antes do envio do ofício, Alessandro Vieira reiterou suas críticas aos ministros do STF, mencionando relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou apoio ao senador. O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também SE posicionou em defesa de Vieira, argumentando que não é aceitável a recriminação por expressar opiniões, afirmando que a ameaça a um Senador da República em exercício de suas funções é inaceitável.