A Globo enfrenta um novo desafio nesta Copa do Mundo, já que, pela primeira vez em muitos anos, não detém a exclusividade de todos os jogos. Devido a questões passadas com a FIFA, a emissora brasileira ficou com apenas metade da competição. Apesar dessa nova realidade, o ambiente interno da Globo não considera essa situação uma ameaça. Pelo contrário, a emissora mantém a confiança em sua relevância no cenário esportivo.
Em recente conversa, Manuel Belmar, diretor financeiro e de Produtos Digitais da Globo, ressaltou que a emissora sempre lidou com concorrência. Inicialmente, isso se dava na TV aberta, depois na TV por assinatura e, atualmente, também no espaço digital. Ele destacou que a mudança não reside apenas nos concorrentes, mas na maneira como o público consome conteúdo e nos elevados custos dos direitos esportivos, que exigem uma abordagem mais estratégica do que simplesmente adquirir os direitos de transmissão.
Belmar argumentou que a força da Globo transcende a mera exibição dos jogos. Para ele, a Copa do Mundo se transforma em um assunto presente em toda a programação da emissora, incluindo telejornais e entretenimento, o que amplia o alcance do evento e reforça a importância da TV aberta como vitrine para grandes acontecimentos nacionais.
Na perspectiva do executivo, a capacidade de se comunicar com milhões de pessoas continua sendo um diferencial que plataformas de streaming ainda não conseguem replicar. Essa visão reflete uma Globo ciente da perda da exclusividade, mas que não abre mão da confiança em seu papel no mercado. A emissora considera a concorrência, como CazéTV e SBT, parte de um mercado que se fragmenta inevitavelmente, mas ainda acredita que a televisão aberta é insubstituível quando se trata de mobilização em massa.
Os resultados da audiência corroboram essa análise. Nesta Copa do Mundo, a famosa frase do treinador Muricy Ramalho, "a bola pune", ganhou um novo significado. Durante as transmissões, comentários anteriormente considerados definitivos têm sido rapidamente refutados por eventos subsequentes, ressaltando a dinâmica imprevisível do futebol.
Além das questões relacionadas à Copa do Mundo, a emissora também está atenta a outras movimentações no mercado. Na Band, por exemplo, João Pedro Sgarbi anunciou sua saída do programa “Jogo Aberto” e se prepara para ingressar na GE TV. A TMC, antiga Transamérica, fechou um contrato para sua sexta cota da Copa do Mundo com a Caixa.