As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam um momento de tensão crescente, com a abordagem do governo brasileiro em relação ao tarifaço imposto por Washington sendo considerada um dos principais entraves nas negociações. Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, afirmou que, embora o governo reconheça as tarifas americanas como um problema, não as vê como uma questão estrutural, o que pode prejudicar as tratativas no âmbito institucional.
Aragão observou que a situação pode piorar antes de apresentar melhorias. Ele destacou que, neste momento, não há espaço para novas negociações. O executivo explicou que, para que os Estados Unidos se disponham a discutir uma nova rodada de conversas, o Brasil precisaria oferecer concessões significativas em troca de uma redução que gira em torno de 10 pontos percentuais nas tarifas.
O analista enfatizou que a estratégia de negociar em bloco, seja por meio de associações ou grupos de empresas, provavelmente não será eficaz. Ele indicou que essa abordagem não se alinha com a disposição do governo americano para os próximos meses, pelo menos até o final do ano.
Na visão de Aragão, a alternativa mais viável é a negociação individual, onde cada empresa deve construir sua própria narrativa para pleitear uma isenção tarifária.
Aragão também comentou sobre a maneira como o governo brasileiro está avaliando o impacto das tarifas. Ele ressaltou que os Estados Unidos representam cerca de 10% das exportações globais do Brasil, e que quase 60% dessas exportações já são isentas de tarifas. "No final das contas, 4% é tarifado", enfatizou. Essa percepção pode levar o governo a considerar a situação como gerenciável, ao invés de uma crise estrutural, contrastando com o que se observa em relação ao México.
O CEO da Arko Internacional alertou que a situação pode se agravar quando o foco de Donald Trump voltar a se dirigir ao Brasil. "Quando ele lembrar, vai ser para tomar uma decisão ativa, que dificilmente será positiva se o governo brasileiro não buscar ativamente algo favorável", avaliou. Durante os intervalos, a agenda dos Estados Unidos tende a se concentrar em outros assuntos, como o Irã ou questões internas, mas o retorno da atenção pode trazer medidas concretas.