Um dia após o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o Governo Lula, representado pelo PT, delineou sua estratégia de atuação. O foco está em agir com prudência, evitando radicalizações e mantendo um canal de diálogo aberto com os Estados Unidos. Essa postura foi confirmada por declarações públicas e pela apuração de Jussara Soares no Hora H.
No Palácio do Planalto, a palavra "retaliação" foi descartada. O governo optou por analisar a aplicação da Lei da Reciprocidade de maneira cautelosa e segmentada. Jussara Soares, com base em fontes do governo, ressalta que é necessário avaliar cada setor individualmente. "Para determinados setores pode fazer sentido uma reciprocidade. Para outros vai ser um tiro no pé", afirmou.
Além disso, o governo acredita que uma possível revisão das tarifas pelos Estados Unidos ou a ampliação da lista de exceções deve ocorrer somente após as eleições brasileiras. Nesse interim, a estratégia é seguir com cautela, buscar novos parceiros comerciais e manter uma interlocução próxima com o setor empresarial, que tem sido ativo nas tentativas de negociação com Washington.
A decisão de não retaliar imediatamente leva em consideração a dinâmica da relação comercial entre os dois países. O Brasil importa mais dos Estados Unidos do que o inverso, e um aumento nas tarifas sobre produtos americanos poderia elevar os custos para as empresas brasileiras, resultando em preços mais altos para os consumidores no Brasil.
A retórica política-eleitoral que havia caracterizado o início das tensões comerciais foi abandonada. Durante a investigação 301, o debate sobre o Pix e a questão do desmatamento, o governo adotou inicialmente uma postura mais confrontacional. No entanto, essa orientação foi alterada, , ministro da Fazenda, destacou: "A gente não pode entrar nessa ótica de usar o momento político eleitoral para fazer ataques políticos eleitorais prejudicando a economia".
A diplomacia brasileira segue uma linha de ação que prioriza a abertura de canais de negociação, evitando elevar o tom nas redes sociais ou em declarações públicas. Jussara Soares relata que a orientação é responder apenas quando provocada, mantendo a proporcionalidade nas respostas. Um exemplo disso foi a reação do chanceler Mauro Vieira a declarações de Marco Rubio, que criticou a boa-fé do governo brasileiro nas negociações.