Governo revoga decreto sobre hidrovias após protestos indígenas

Medida foi comemorada por manifestantes em Santarém

Medida do governo federal revoga decreto que autorizava privatização das hidrovias, após protestos de comunidades indígenas.

O governo federal anunciou a revogação do decreto que permitia a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). A decisão foi tomada após um intenso período de protestos por parte de comunidades indígenas em Santarém, no Pará, que durou mais de 30 dias. Os manifestantes celebraram a revogação como uma vitória, destacando os riscos que a privatização poderia trazer para suas terras e modos de vida.

O Contexto da Revogação

Em agosto de 2025, o governo havia incluído as hidrovias em um pacote de estudos para possíveis concessões, o que gerou preocupações imediatas entre os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos da região. Durante as manifestações, a comunidade indígena expressou suas inquietações sobre os efeitos que a dragagem e a privatização poderiam causar em seus territórios, levando a uma pressão crescente sobre o governo para reverter a decisão. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que as vozes dos indígenas foram fundamentais para a revogação do decreto.

Além disso, a Secretaria de Portos e Aeroportos já havia suspendido a dragagem do rio Tapajós como resposta às manifestações, o que indicou uma mudança na postura do governo em relação às demandas locais.

Detalhes dos Acontecimentos Recentes

Durante os protestos, os manifestantes conseguiram ocupar o terminal da Cargill em Santarém, uma operação crucial para a empresa, que exporta grandes volumes de soja e milho pela hidrovia. Com a ocupação, as operações no terminal foram paralisadas, aumentando as tensões entre a empresa e as comunidades locais. Segundo informações do setor portuário, a Cargill exportou mais de 5,5 milhões de toneladas de grãos através desse ponto no ano passado, representando mais de 70% do total movimentado no porto de Santarém.

Após o anúncio da revogação do decreto, os indígenas afirmaram que aguardariam a publicação oficial da medida no Diário Oficial da União antes de desocupar o terminal, evidenciando sua determinação em garantir que a decisão fosse concretizada.

Consequências e Repercussões

A revogação do decreto não passou sem controvérsias. Entidades do agronegócio, como a Aprosoja Brasil, manifestaram descontentamento com os protestos, argumentando que as ocupações prejudicam os produtores de soja e milho, elevando custos logísticos e causando interrupções no fluxo de exportação. A Sociedade Rural Brasileira também criticou a invasão de propriedades privadas, considerando-a inaceitável.

A situação representa um dilema entre a proteção dos direitos das comunidades tradicionais e a necessidade de desenvolvimento econômico na região. O governo agora enfrenta a pressão de diversos setores para equilibrar essas demandas, que podem se intensificar se a situação não for resolvida rapidamente.

Conclusão

A revogação do decreto sobre as hidrovias é um reflexo das crescentes tensões entre interesses econômicos e a proteção dos direitos das comunidades tradicionais. O governo do Brasil terá que gerenciar cuidadosamente os próximos passos para evitar um aprofundamento do conflito, enquanto as comunidades indígenas continuam a lutar por seus direitos e a preservar seus modos de vida.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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