Na segunda-feira (20), os comentaristas José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit debateram, em O Grande Debate, a recente concessão de um green card a Eduardo Bolsonaro pelo governo dos Estados Unidos. O visto permite que Eduardo permaneça indefinidamente no país, conforme divulgado pelo jornal Folha de São Paulo e confirmado pela CNN Brasil. A decisão ocorre em um período delicado nas relações entre Brasil e Estados Unidos, intensificado pelo novo tarifaço aplicado a produtos brasileiros.
A situação se complica ainda mais devido a um contexto jurídico desfavorável para Eduardo Bolsonaro, que foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, em decorrência de sua atuação nos Estados Unidos. A condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado, também pesa sobre a análise do caso. A concessão do green card torna a extradição de Eduardo para o cumprimento da pena no Brasil uma possibilidade bastante remota.
Vinicius Poit comentou sobre a natureza do visto, afirmando que se trata do tipo EB1, que é a categoria mais alta no sistema norte-americano de residência permanente baseada em emprego. Poit destacou que essa informação foi compartilhada por Paulo Figueiredo, próximo a Eduardo. Ele enfatizou que, embora o episódio reflita uma capacidade de articulação, não implica uma aliança institucional sólida entre o bolsonarismo e o governo Trump. Para Poit, a ideia de que Eduardo teria influência sobre políticas americanas ou sobre intervenções no Brasil é exagerada, mas reconheceu que ele se protegeu com a concessão do visto.
Por outro lado, José Eduardo Cardozo adotou uma postura mais incisiva, afirmando que a concessão do green card evidencia uma aliança ideológica entre Eduardo Bolsonaro e Donald Trump. Cardozo argumentou que Eduardo é um aliado político de Trump e se refere a ele como chefe. Ele questionou a suposta habilidade extraordinária de Eduardo, ressaltando sua ausência nas sessões do parlamento e a perda do mandato no Brasil.
Cardozo também refutou a ideia de que o governo Lula teria criado a narrativa de que os Bolsonaro influenciaram as sanções americanas ao Brasil. Ele citou uma carta de Trump nas primeiras sanções, na qual o ex-presidente americano menciona que as sanções foram motivadas pelas ações do Brasil contra Jair Bolsonaro. Para Cardozo, a família Bolsonaro age de maneira subserviente aos interesses dos Estados Unidos, celebrando medidas que prejudicam o país.
Vinicius Poit, por sua vez, criticou a diplomacia do governo brasileiro, classificando-a como incompetente. Ele sugeriu que se essa situação preocupa o governo Lula, é uma prova da ineficácia na condução das relações diplomáticas. Poit ainda mencionou que Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos solicitando a retirada de impostos adicionais ao Brasil, questionando a coerência do discurso do governo.