Conservação ex situ preserva informações valiosas para o futuro da ciência e do meio ambiente
Guardar pedaços da natureza através da conservação ex situ é fundamental para proteger a biodiversidade e auxiliar pesquisas científicas futuras.
Guardar pedaços da natureza é uma estratégia crucial para a conservação da biodiversidade e o avanço da ciência ambiental. Esse processo, conhecido como conservação ex situ, vai além do simples armazenamento: ele envolve o recolhimento, catalogação e preservação de amostras biológicas, geológicas e ambientais como células, tecidos, sementes, solos e fósseis.
Conservação ex situ: um arquivo da vida
De acordo com a ecóloga Morgana Bruno, coordenadora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília (UCB), essas amostras podem ser encaradas como “bibliotecas da vida”. Muitas espécies atualmente preservadas podem desaparecer da natureza, mas seus registros garantirão que cientistas futuros continuem estudando sua biologia e contribuindo para a compreensão dos ecossistemas.
Esses fragmentos armazenam informações genéticas, morfológicas, químicas, ecológicas e evolutivas. Sua análise permite respostas sobre diversos aspectos ambientais, como a adaptação das espécies às mudanças do meio e as estratégias que favorecem a conservação da biodiversidade em tempos de crise ambiental crescente.
Aplicações práticas para a sociedade
Além da importância ambiental, as coleções de fragmentos naturais desempenham papel fundamental na saúde humana. Elas auxiliam no desenvolvimento de medicamentos ao identificar compostos bioativos e avaliar sua segurança. Assim, preservar essas amostras não é apenas um investimento ambiental, mas também um ganho para a medicina e a qualidade de vida.
Locais especializados para armazenagem
Devido à sua importância, os fragmentos são cuidadosamente preservados em ambientes especializados como museus de história natural, bancos de sementes, zoológicos científicos e biobancos vinculados a universidades e centros de pesquisa. Esses locais seguem protocolos rigorosos, incluindo a padronização de informações sobre data de coleta, registro e curadoria, garantindo a integridade e a utilidade científica das amostras.
Iniciativas inovadoras diante do aquecimento global
Em uma ação pioneira, a fundação internacional Ice Memory inaugurou o primeiro santuário do gelo na Estação Concordia, na Antártida. Esse “cofre de gelo” armazena fragmentos de diferentes geleiras, permitindo que futuras gerações estudem as condições climáticas passadas e os impactos do aquecimento global, que acelera o derretimento das geleiras e afeta a biodiversidade global.
Cooperação internacional e o Protocolo de Nagoya
Os fragmentos coletados pertencem ao país de origem, mas seu acesso e uso devem respeitar acordos internacionais. O Protocolo de Nagoya, por exemplo, regula o acesso aos recursos genéticos e assegura a divisão justa dos benefícios decorrentes de sua utilização.
Quando os países colaboram, o compartilhamento de informações fortalece a pesquisa global e contribui para um futuro ambiental mais justo e sustentável. Entretanto, disputas geopolíticas podem dificultar essas parcerias, ressaltando a necessidade de diálogo e cooperação contínuos.
Guardar pedaços da natureza é, portanto, uma prática fundamental para preservar o passado, compreender o presente e garantir o futuro da vida na Terra.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida mostra cofre de gelo na Antártida – Metrópoles