Ministro da Fazenda critica a tramitação do projeto e levanta suspeitas sobre interesses ocultos
Fernando Haddad critica o relator do PL Antifacção, Guilherme Derrite, por falta de entendimento sobre inteligência de investigação.
Haddad critica o relator do PL Antifacção por falta de entendimento
O PL Antifacção, que tramita no Congresso, tem gerado intensos debates, especialmente após as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quarta-feira (12/11). Durante sua fala, Haddad afirmou que o relator do projeto, deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), “não é, propriamente, uma pessoa que entenda de inteligência de investigação”. Essa crítica vem à tona em um momento em que as investigações sobre o crime organizado, especificamente o Primeiro Comando da Capital (PCC), estão em destaque.
A crítica à tramitação do projeto
Haddad também apontou que a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal não foram consultadas durante a tramitação do PL. Ele destacou que as operações realizadas contra um braço financeiro do PCC, ocorridas no fim de agosto, não foram levadas em consideração. O ministro questionou a urgência da votação do projeto, insinuando que interesses ocultos podem estar guiando a proposta. “Tudo sendo feito de forma atabalhoada. Por trás disso aí, tem algum interesse que não resiste à luz do dia”, declarou.
O embate entre governo e relator
Em um contexto de crescente tensão, Haddad criticou o relatório de Derrite, afirmando que ele poderia proteger o crime organizado. Ele se perguntou: “Agora que nós começamos a combater o andar de cima do crime organizado, você vai fazer uma lei protegendo o andar de cima do crime organizado?” Essa afirmação ressalta a preocupação do governo em garantir que as ações da PF e da Receita não sejam cerceadas.
Resposta de Derrite e reações dos governadores
Derrite, por sua vez, defendeu seu relatório em um vídeo, afirmando que não houve mudanças na lógica de atuação da PF, que continuaria a trabalhar em conjunto com as polícias estaduais. Contudo, a controvérsia persiste, e alguns governadores, como Ronaldo Caiado (Goiás) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro), solicitaram ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o adiamento da votação do PL Antifacção. Essa solicitação destaca a preocupação com as implicações do projeto para a segurança pública nos estados.
Conclusão
A discussão em torno do PL Antifacção revela um embate significativo entre o governo federal e os legisladores, com implicações diretas sobre a capacidade das autoridades de combater o crime organizado. A falta de consenso sobre o projeto e as críticas de Haddad indicam um caminho conturbado para a aprovação da proposta, que continua a ser objeto de intenso escrutínio por parte de diversos setores da sociedade.
