Healthtech brasileira de IA atrai investimentos e cresce globalmente

Startup Linda captura R$ 10 milhões e inicia expansão internacional

Linda, uma healthtech brasileira, capta R$ 10 milhões para expandir sua tecnologia de rastreio de câncer de mama.

A healthtech Linda, startup brasileira que atua na área de inteligência artificial voltada para o rastreio e detecção precoce de lesões suspeitas nas mamas, conquistou um investimento de R$ 10 milhões em uma nova rodada Seed. Essa rodada foi liderada pela SkyRiver Ventures, um fundo de venture capital baseado em Boston, focado em tecnologias profundas e saúde, e contou com a participação de investidores do Canadá, Estados Unidos e Índia.

O Contexto do Investimento

O aporte da Anges Québec, a maior rede de investidores-anjo do Canadá, que trouxe US$ 1,2 milhão para a rodada, é emblemático. Essa rede, que já investiu mais de US$ 170 milhões em startups, trouxe também a expertise de profissionais médicos, como o radiologista Manuel, que analisou a tecnologia sob uma perspectiva científica. O investimento, portanto, não é apenas financeiro, mas também uma validação da capacidade técnica e da aplicação prática da solução da Linda, que busca superar a resistência cultural à adoção de IA na radiologia no Brasil.

A startup já havia captado cerca de R$ 3 milhões anteriormente com investidores brasileiros, que possibilitaram o desenvolvimento do software e as primeiras validações clínicas. Agora, com um fortalecimento na governança e a entrada de investidores estratégicos internacionais, a Linda se prepara para uma nova fase de expansão, focando no Brasil, Canadá e Estados Unidos. Rubens Mendrone, CEO da Linda, destaca a importância do Brasil como ponto de partida, em virtude da baixa cobertura mamográfica e da precariedade dos serviços de saúde voltados para a mulher no País.

Detalhes da Tecnologia

Fundada em 2019, a Linda desenvolveu um software que combina radiometria por infravermelho e algoritmos de IA para detectar alterações térmicas e padrões suspeitos associados a lesões iniciais na mama. Este exame é rápido, não invasivo e serve como complemento à mamografia, ajudando os profissionais de saúde na tomada de decisões clínicas. Com um custo operacional reduzido e uma implantação ágil, a tecnologia já está disponível para milhões de mulheres no Brasil e no exterior, com expectativas de crescimento acelerado em 2026.

A expansão internacional da Linda também inclui um novo estudo clínico robusto em colaboração com o Princess Margaret Cancer Centre, em Toronto, um dos maiores centros de pesquisa em câncer do mundo. Este estudo é considerado o maior já realizado com a tecnologia da Linda, visando um rastreio ampliado e a adaptação às diretrizes internacionais.

O Futuro da Healthtech

O investimento da SkyRiver Ventures foi precedido por anos de monitoramento da startup. Benjamin Heywood, cofundador do fundo, afirma que a tração obtida no Brasil foi um fator determinante. A abordagem da SkyRiver é claramente ambiciosa: eles querem tornar o rastreio do câncer de mama tão acessível quanto uma vacinação, embutindo a tecnologia em clínicas e, idealmente, em casas.

Além de expandir sua atuação, a SkyRiver pretende abrir conexões com hospitais, seguradoras e grandes corporações. Em um cenário em que os custos de saúde estão crescendo, a oferta de rastreio preventivo pode se tornar um diferencial competitivo para atrair e reter talentos, integrando pacotes de benefícios corporativos.

O Brasil, embora continue sendo uma prioridade, serve como laboratório para desenvolver e validar modelos de negócio em larga escala, permitindo à Linda testar e escalar rapidamente suas operações antes de entrar em outros mercados.

O apetite por soluções de femtech no mercado global está aumentando, com projeções indicando um crescimento significativo do setor. Em 2025, o mercado de femtech movimentou US$ 60,89 bilhões e deve chegar a US$ 130,8 bilhões até 2034, com um crescimento anual composto de 8,9%. Essa demanda é corroborada por dados epidemiológicos que mostram um aumento no número de diagnósticos de câncer de mama, reforçando a necessidade de métodos de rastreio mais acessíveis e integrados.

A healthtech Linda não apenas conecta investimento internacional e validação científica, mas também responde a uma necessidade urgente de saúde pública. O sucesso dessa rodada de investimento demonstra que a aplicação de IA no diagnóstico precoce do câncer de mama está se consolidando como uma tese válida no mercado global.

Fonte: brazileconomy.com.br

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