Imagem inédita do Telescópio Espacial James Webb mostra a Nebulosa Helix como uma 'lâmpada de lava cósmica', revelando processos do fim de estrelas semelhantes ao Sol
A Helix Nebula, conhecida como Eye of God, ganhou uma nova imagem detalhada pelo James Webb, mostrando o processo final de estrelas como o Sol e sua influência no futuro do nosso sistema solar.
A Nebulosa Helix, também conhecida como Eye of God, recebeu uma nova e impressionante imagem capturada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), que mostra detalhes nunca antes vistos desse fenômeno astronômico. Localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra, na constelação de Aquário, a Helix Nebula é uma nebulosa planetária formada pelos restos de uma estrela que está em seus estágios finais de vida.
A origem da Eye of God
Essa nebulosa resulta do processo pelo qual uma estrela semelhante ao Sol expele suas camadas externas enquanto seu núcleo colapsa em uma anã branca — um cadáver estelar extremamente denso. Apesar do nome, nebulosas planetárias não têm relação com planetas; o termo histórico surgiu por causa da aparência em telescópios antigos.
A Helix Nebula foi descoberta pelo astrônomo alemão Karl Ludwig Harding antes de 1824 e é uma das nebulosas planetárias mais próximas e brilhantes observáveis da Terra. O JWST, por meio da câmera NIRCam, captou imagens em infravermelho que destacam as ondas de gás extremamente quente emanando do núcleo da anã branca. Esses ventos estelares colidem com camadas externas de gás frio e poeira, criando um limite nítido entre regiões quentes e frias.
Revelações da nova imagem do James Webb
A fotografia do JWST não mostra diretamente a anã branca central, mas evidencia seus efeitos por meio da radiação que ioniza e aquece o gás ao redor. Além disso, são visíveis bolsões de hidrogênio molecular frio, ambientes propícios à formação de moléculas complexas essenciais para a criação de novos planetas e, possivelmente, vida.
Esses achados oferecem uma visão dupla: enquanto ilustram o fim da vida de uma estrela, também apontam para as possíveis origens de futuros sistemas planetários. A Nebulosa Helix, portanto, funciona como uma espécie de bola de cristal cósmica — prevendo, por um lado, o que poderá acontecer com o sistema solar em cerca de 5 bilhões de anos, e, por outro, mostrando condições similares às que existiam antes do nascimento do nosso Sol e seus planetas.
Importância para a astrofísica e para o futuro do nosso sistema
A observação detalhada da Helix Nebula pelo JWST ajuda a compreender os processos físicos envolvidos no estágio final da vida de estrelas semelhantes ao Sol. Além disso, o estudo das interações entre ventos estelares e materiais ejetados contribui para o entendimento da reciclagem de matéria no universo e da formação de novos corpos celestes.
Essas descobertas ressaltam a importância dos telescópios espaciais avançados, como o James Webb, para revelar fenômenos que não são possíveis de serem observados em outras faixas do espectro eletromagnético. A imagem da Eye of God, com sua beleza e complexidade, inspira tanto a comunidade científica quanto o público geral a explorar e entender a vastidão do cosmos.
Contexto histórico e tecnológico
Antes do JWST, a Nebulosa Helix já havia sido fotografada por telescópios como o Hubble, porém com menor resolução em infravermelho. O avanço tecnológico do JWST permite identificar estruturas e processos com mais detalhes, aprofundando o conhecimento sobre a evolução estelar e as condições para a formação planetária.
A imagem trazida pelo James Webb é uma verdadeira aula visual e científica que conecta passado, presente e futuro do universo de maneira fascinante e inédita.
Fonte: www.space.com
Fonte: the JWST with its comet-like knots, fierce stellar winds, and layers of gas shed off by a dying star interacting with its surrounding environment
