A origem indígena do nome e a memória das famílias que construíram a comunidade
A história do bairro Umbará em Curitiba reflete a vida rural do século 19, a cultura da erva-mate e a origem indígena do nome que designa a região.
O bairro Umbará, localizado em Curitiba, é um exemplo marcante da vida rural que caracterizou a formação de diversas regiões da cidade no século 19. Com uma área de 22,47 km², é o segundo maior bairro da capital paranaense, abrigando atualmente cerca de 21.990 moradores.
Origens e significado do nome Umbará
Diferentemente da crença popular que associa o nome a “um barral” ou “um barro só” devido à terra argilosa e às dificuldades do terreno, o historiador Marcos Afonso Zanon esclarece que “Umbará” tem origem indígena, derivada da língua geral de origem tupi falada pelos primeiros moradores da região. O termo designa o fruto vermelho das plantas silvestres quando estão maduras, reforçando a importância da cultura indígena na toponímia local.
Vida rural e economia da erva-mate
Nas primeiras décadas do bairro, a vida dos moradores era marcada por uma rotina intensa no trabalho agrícola. A fabricação de barricarias para produção de barris, essenciais para o armazenamento da erva-mate durante seu auge no Paraná, era uma atividade econômica significativa. Além disso, as famílias realizavam a criação de animais para garantir alimentação e renda extra, enfrentando desafios como a ausência de luz elétrica e infraestrutura precária.
Relatos como os de dona Brígida Moletta, moradora centenária do Umbará, ilustram essa realidade. Ela recorda a convivência com um bugio domesticado e as dificuldades de deslocamento para o Centro da cidade, evidenciando uma comunidade unida e resiliente.
Imigração e integração cultural
O bairro também foi influenciado pela chegada de imigrantes italianos e poloneses que, inicialmente instalados em outras regiões de Curitiba, adquiriram terras no Umbará. Esses grupos se integraram às atividades locais, especialmente ao cultivo e ao comércio da erva-mate, além de contribuir para a diversificação econômica com o desenvolvimento de olarias e cerâmicas, como exemplificado pela trajetória da família Wosniak.
Construção comunitária e patrimônio
A união dos moradores foi fundamental para a construção de marcos importantes da comunidade, como a Igreja Matriz São Pedro do Umbará, projetada pelo arquiteto João de Mio, e o Colégio Estadual Padre Cláudio Morelli, primeira instituição de ensino formal da região. Essas estruturas simbolizam o crescimento social e cultural do bairro ao longo das décadas.
Tradições preservadas e transformações
Apesar das transformações urbanas e do desenvolvimento, tradições rurais permanecem vivas. A produção de uvas em quintais, como na propriedade da família Moletta, mantém viva a ligação com o passado agrícola do bairro. A expectativa de uma colheita de aproximadamente 900 quilos de uva este ano demonstra a continuidade dessas práticas culturais.
Entre os moradores antigos, como dona Maria de Lourdes Pelanda, destaca-se a valorização do senso comunitário e a memória das dificuldades superadas, reforçando o amor pela terra que moldou o bairro Umbará. Essa história é um testemunho da resistência e identidade de uma comunidade que cresceu a partir das raízes do campo no meio da cidade.
Fonte: www.curitiba.pr.gov.br
Fonte: Hully Paiva/SECOM
