Mercado monitora pressão do governo sobre o Banco Central e impactos da inflação
Ibovespa encerra em queda de 0,13% pressionado por tensões políticas e econômicas.
Nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, o Ibovespa (IBOV) iniciou a semana em tom negativo, com uma queda de 0,13%, encerrando o dia a 163.150,35 pontos. O mercado acompanhou de perto as tensões crescentes entre a Casa Branca e o Federal Reserve (Fed), além do desdobramento do Caso Master, que segue mobilizando as atenções do cenário econômico brasileiro.
Contexto do Caso Master e suas implicações
O Caso Master voltou a ser um ponto central nas discussões do mercado financeiro. O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, se reuniu com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para discutir a importância de uma inspeção da autoridade monetária sobre a liquidação do Banco Master. Rêgo enfatizou que a inspeção é uma solicitação do Banco Central para garantir segurança jurídica, destacando que não vê anormalidade na fiscalização do TCU.
Esta reunião ocorre em meio a um clima de incerteza, uma vez que, na semana anterior, o TCU havia suspendido uma inspeção relacionada à documentação do Banco Master, após um recurso do Banco Central.
Impactos do Boletim Focus na economia
Em paralelo, o mercado analisou os dados do Boletim Focus, onde economistas reduziram levemente a projeção para a inflação de 2026, de 4,06% para 4,05%. A expectativa da Selic foi mantida em 12,25% ao ano para dezembro, enquanto o câmbio deve encerrar o ano em R$ 5,50. Além disso, as previsões para o crescimento da economia brasileira foram ajustadas para 1,80% em 2026.
Um ponto de preocupação levantado foi a piora nas projeções do Tesouro Nacional para a dívida pública bruta, que deverá atingir 88,6% do PIB até 2032, dada a alta dos juros no país. Essa trajetória de endividamento pode ter impactos significativos na economia, caso não seja gerida adequadamente.
Desempenho das ações no Ibovespa
Entre as ações listadas no Ibovespa, a Vamos (VAMO3) foi a grande protagonista do dia, com uma valorização de mais de 7%. O mercado reagiu positivamente à prévia operacional do quarto trimestre de 2025, que será divulgada em 27 de março. A companhia reportou uma receita líquida de R$ 1,48 bilhão no 4T25, um aumento de 24,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, as ações da Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) tiveram um desempenho positivo, impulsionadas pela alta das commodities. O petróleo Brent subiu 0,83%, a US$ 63,87 o barril, enquanto o minério de ferro viu um aumento de 0,92%, fechando a 822,50 yuans (US$ 117,88) a tonelada.
Tensão política e seus efeitos no mercado
No cenário internacional, os índices de Wall Street tiveram um início de sessão volátil, com forte queda, mas conseguiram se recuperar e fecharam em alta. Os investidores estão atentos à pressão crescente do governo dos Estados Unidos sobre o Federal Reserve. O presidente Donald Trump ameaçou indiciar o presidente do Fed, Jerome Powell, após comentários feitos ao Congresso sobre a política monetária.
A tensão política se intensificou neste fim de semana, quando Trump fez declarações que sugerem uma tentativa de influenciar as taxas de juros, que atualmente estão em foco no debate econômico. Além disso, a situação na Venezuela e os conflitos no Irã também permanecem no radar dos investidores.
Conclusão
Com um Ibovespa em queda e um cenário repleto de incertezas tanto no âmbito nacional quanto internacional, os investidores seguem vigilantes. O desempenho do mercado está atrelado a uma série de fatores que vão desde tensões políticas até a evolução econômica local. A atenção dos investidores agora se voltará para os próximos desenvolvimentos no Caso Master e as repercussões das declarações de Trump sobre o Federal Reserve.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Agência
