Ilha do Mel terá reconhecimento facial no acesso a partir do 2º semestre e cobrança de taxa fica para depois do saneamento

Ilha do Mel terá reconhecimento facial no acesso a partir do 2º semestre e cobrança de taxa fica para depois do saneamento
Ilha do Mel terá reconhecimento facial no acesso a partir do 2º semestre e cobrança de taxa fica para depois do saneamento

O Governo do Paraná começa a operar no segundo semestre de 2026 um sistema de controle de acesso com reconhecimento facial na Ilha do Mel, principal destino de ecoturismo do litoral paranaense, em Paranaguá. Catracas, totens de cadastramento e câmeras de biometria serão instalados nos embarcadouros de Paranaguá e Pontal do Sul e nos trapiches das comunidades de Encantadas e Nova Brasília — os quatro pontos de entrada e saída da ilha, que não tem ruas nem veículos motorizados. A medida está prevista no Marco Regulatório sancionado pelo governador Ratinho Junior (PSD) em fevereiro de 2025 e responde a um crescimento de 21% no número de turistas entre 2024 e 2025.

A cobrança de taxa de visitação de R$ 29,90 por turista, com direito a até 10 dias de permanência, estava programada para começar no primeiro semestre deste ano, mas foi adiada por tempo indeterminado após duas audiências públicas realizadas em março nas vilas de Encantadas e Nova Brasília. Moradores e representantes de comunidades tradicionais pediram que a cobrança só comece depois da conclusão das obras de saneamento básico em execução pela Paranaguá Saneamento, empresa do Grupo Iguá. A previsão atual do Governo do Estado é que o sistema de esgotamento sanitário seja concluído em 2027.

Com a entrada em operação do controle eletrônico, o limite técnico de visitantes simultâneos na ilha sobe dos atuais 5 mil para até 11 mil pessoas por dia, considerando moradores e turistas. A nova capacidade só é viável com monitoramento contínuo e leitura em tempo real do fluxo, justamente o que o sistema biométrico passa a fornecer. Para o turista que pretende visitar a região antes ou depois das mudanças, guias independentes como o ilha do mel reúnem informações sobre praias, trilhas, pousadas e a logística das travessias de barco a partir de Pontal do Sul e Paranaguá — única forma de acesso ao destino, já que a circulação de carros é proibida em toda a extensão da ilha.

Crescimento turístico pressiona infraestrutura

Em 2025, 247.020 visitantes passaram pela Ilha do Mel, contra 203.877 em 2024, segundo dados oficiais do Instituto Água e Terra (IAT). A estimativa do governo estadual é que só no verão 2025-2026 mais de 100 mil turistas tenham desembarcado nos trapiches da ilha. O controle atual é feito de forma manual pelas barcaças concessionárias e não permite aferir quantas pessoas estão simultaneamente em terra — gargalo que, segundo o IAT, motivou a adoção do sistema digital.

Contrato de R$ 9,9 milhões e parcelas até 2030

O contrato para a implantação do sistema foi assinado em dezembro de 2025 com o Consórcio Ilha do Mel, liderado pela Imply, empresa gaúcha especializada em bilhetagem eletrônica. O valor total é de R$ 9.962.574,81, dividido em 60 parcelas mensais de R$ 166.043,12 que começaram a ser pagas em janeiro de 2026 e seguem até dezembro de 2030. O contrato engloba plataforma digital de cadastro e venda de tickets, painéis com contadores de visitantes em tempo real, infraestrutura de monitoramento e operação contínua. O cadastramento será possível tanto por aplicativo quanto presencialmente, nos totens instalados nos pontos de embarque.

Comunidades tradicionais exigiram consulta prévia

A suspensão da taxa atendeu pedido formal das comunidades caiçaras, articuladas pela Associação dos Nativos da Ilha do Mel e Comunidades Tradicionais da Bacia de Paranaguá (Anime). O presidente da entidade, Agnaldo Santos, declarou ao  JB Litoral que a discussão sobre o aplicativo, a catraca e a taxa será retomada apenas após o tratamento do esgoto. Santos manifestou preocupação com o impacto cumulativo dos custos sobre famílias maiores, que já arcam com as travessias de barco — operadas pela Abaline (Associação de Barcos de Linha) a partir de R$ 50 por pessoa, com duração de 30 minutos saindo de Pontal do Sul e cerca de 1h30 partindo de Paranaguá.

Isenções previstas

Os cerca de 1.800 moradores permanentes da Ilha do Mel serão cadastrados antes da entrada em operação do sistema e estarão isentos da futura taxa. A isenção também se estende a familiares de até segundo grau, prestadores de serviços, servidores públicos em exercício e crianças com idade-limite a ser definida em portaria específica do IAT. O órgão informou que a regulamentação ainda está em fase de elaboração.

Saneamento pioneiro entre ilhas marítimas brasileiras

As obras de esgotamento sanitário em execução na ilha são descritas pelo Governo do Estado como pioneiras no Brasil. “Praticamente não existem ilhas marítimas no país que possuam um sistema estruturado de esgotamento sanitário”, afirmou o diretor institucional do Grupo Iguá, João Rocha Moraes, em nota oficial divulgada pela Agência Estadual de Notícias. A complexidade técnica vem das trilhas de areia que cortam a ilha, com largura entre 1,5 e 3 metros — bem abaixo dos 8 a 12 metros típicos de ruas urbanas — e que precisam comportar simultaneamente as redes de água, esgoto, drenagem e energia, sem alterar o aspecto natural da paisagem.

81% de Estação Ecológica e 12% de Parque

A Ilha do Mel é uma unidade de conservação dividida em duas zonas. A Estação Ecológica, criada em 1982, ocupa 81% do território e é destinada à preservação integral dos ecossistemas de manguezal, restinga e brejo litorâneo — sem visitação pública. Os 12% restantes formam o Parque Estadual da Ilha do Mel, instituído em 2002, com áreas abertas à visitação controlada que incluem os principais atrativos turísticos: o Farol das Conchas, erguido em 1872 em Nova Brasília; a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, construída entre 1767 e 1769 para defender a entrada da Baía de Paranaguá; e a Gruta das Encantadas, formação rochosa ligada ao folclore local.

A entrada em operação do sistema biométrico será precedida de uma fase de testes, segundo o IAT, sem cronograma público divulgado até o momento. A data exata de início pleno das operações no segundo semestre depende da finalização da instalação dos equipamentos e do cadastramento dos moradores.

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