A Sociedade Brasileira de Pediatria revisou, em 2026, suas recomendações acerca do uso saudável de telas e tecnologias nas escolas, enfatizando a importância de limitar a exposição digital na primeira infância. Especialistas destacam que o uso excessivo dessas ferramentas pode comprometer experiências essenciais para o desenvolvimento infantil.
Nos últimos anos, o acesso à internet cresceu significativamente, proporcionando oportunidades educacionais, mas também levantando preocupações sobre o desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. As diretrizes pediátricas sobre a exposição a telas têm se adaptado ao longo das décadas, refletindo a evolução do cenário digital.
No Brasil, a proteção da infância no ambiente digital é respaldada por legislações importantes, como o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018). Além disso, a Resolução nº 245/2024 do Conanda estabelece princípios de proteção integral em ambientes digitais, reforçando a necessidade de uma abordagem cuidadosa.
Em 2023, foi lançada a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, uma política pública voltada para a digitalização educacional, priorizando a equidade e a segurança digital. A partir de 2025, a Lei nº 15.100 restringiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas durante as aulas e recreios, exceto em situações pedagógicas específicas.
A Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que a primeira infância é um período crucial, caracterizado por uma intensa plasticidade cerebral, onde as experiências interpessoais são fundamentais para a formação de circuitos neurais relacionados à linguagem e funções executivas. Estudos indicam que o uso excessivo de telas nessa fase pode levar a atrasos na linguagem e a um desenvolvimento comprometido.
Raquel Nazário, gestora educacional especializada em alfabetização, destaca que as telas podem ser prejudiciais ao desenvolvimento das crianças, especialmente quando ocupam o espaço de brincadeiras e interações reais. Para ela, é essencial que escola e família colaborem para estabelecer uma rotina equilibrada que inclua tecnologia, mas que não substitua experiências fundamentais da infância.