Impacto das sanções dos EUA na vida dos iranianos e declarações de Trump

Arafat Barbakh/Reuters

Análise sobre as consequências das sanções americanas e a resposta do governo Trump

As sanções dos EUA têm afetado gravemente a vida dos iranianos, mesmo com promessas de ajuda.

Sanções dos EUA e suas consequências na vida dos iranianos

As sanções dos EUA, que se tornaram mais rigorosas sob a administração de Donald Trump, têm causado um impacto devastador na vida dos iranianos. Em meio a protestos que começaram em 28 de dezembro de 2025, o presidente Trump fez declarações em apoio aos manifestantes, ignorando, no entanto, o papel fundamental que as sanções desempenharam na crise econômica do país. Neste contexto, é crucial entender como essas medidas afetaram a população iraniana e a economia do país.

A origem das sanções e seu efeito econômico

Desde 1979, o Irã tem sido alvo de sanções impostas pelos EUA, começando com a crise dos reféns na embaixada americana em Teerã. Essas sanções foram sendo ampliadas ao longo das décadas, culminando em ações mais severas durante os mandatos de Trump. O impacto econômico dessas sanções é palpável: a moeda iraniana, o rial, viu seu valor despencar de 700 mil riais por dólar em janeiro de 2025 para mais de 1,4 milhão por dólar em janeiro de 2026.

Protests e crise de poder aquisitivo

As manifestações que eclodiram no Irã foram impulsionadas pela inflação galopante, com preços de alimentos subindo em média 72% em relação ao ano anterior. A classe média, que já enfrentava desafios, viu sua situação se deteriorar ainda mais devido ao aumento dos preços e à desvalorização da moeda, resultando em uma queda acentuada do poder aquisitivo. Pesquisas indicam que a classe média iraniana encolheu dramaticamente, com muitos cidadãos agora classificados como ‘pobres trabalhadoras’.

A corrupção e a economia das sanções

A implementação de sanções não apenas afetou a economia formal, mas também fomentou a corrupção. A elite iraniana encontrou maneiras de lucrar com as sanções, criando um ambiente em que a transparência e a justiça econômica foram severamente comprometidas. A professora Maryam Alemzadeh, da Universidade de Oxford, aponta que a corrupção resultante das sanções prejudicou a população comum, enquanto os poderosos se beneficiaram. Essa situação agravou ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo cidadão médio.

Consequências sociais e de saúde

Além dos impactos econômicos, as sanções também têm um custo social e de saúde significativo. Estudos mostram que as sanções estão diretamente associadas a uma redução na expectativa de vida, com mulheres sendo as mais afetadas. A interrupção na importação de medicamentos essenciais resultou em aumentos de preços de até 300% em alguns casos, o que tem implicações severas para a saúde pública no Irã.

O papel de Trump e a política externa dos EUA

Enquanto Trump afirma querer ajudar os manifestantes iranianos, as ações de seu governo têm contribuído para a crise atual. A política de ‘pressão máxima’ aplicada contra o Irã, que incluiu a designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista e a reimposição de sanções, apenas agravou a situação. Com o governo Biden mantendo muitas dessas políticas, a situação só tende a piorar, deixando os iranianos em uma luta constante por dignidade e sobrevivência.

Conclusão

As sanções dos EUA, sob a justificativa de promover a liberdade e a democracia, têm resultado em um sofrimento profundo para a população iraniana. A retórica de ajuda do governo americano se choca com a realidade dura enfrentada pelos iranianos, que veem suas vidas e economias desmoronarem sob o peso das medidas coercitivas. Este cenário exige uma reflexão crítica sobre os efeitos reais das políticas externas e suas consequências para os povos afetados.

Fonte: www.aljazeera.com

Fonte: Arafat Barbakh/Reuters

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