A audiência pública realizada no dia 7 de novembro pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) contou com a participação da indústria brasileira de café solúvel, que destacou a relevância da questão da inflação para os consumidores americanos. A discussão girou em torno da proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que está sendo analisada sob a investigação da seção 301 da Lei de Comércio de Washington.
José Pimenta, representante da consultoria BMJ, contratada pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) para defender os interesses do setor, enfatizou que o foco principal do painel foi o impacto da sobretaxa na cadeia do café solúvel e seus reflexos para a indústria americana. Apesar da presença de diferentes representantes do setor cafeeiro, como o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) e a NCA (National Coffee Association), a maior parte da discussão se concentrou nas implicações para o café solúvel.
A estratégia adotada pelos representantes brasileiros foi coordenar as intervenções para que os argumentos se complementassem, ressaltando a importância do café solúvel para o consumo e a produção na cadeia industrial nos Estados Unidos. Pimenta observou que as perguntas feitas pelos membros do board da USTR se focaram mais nos efeitos da tarifa sobre a manufatura americana do que no consumo do produto em si.
A defesa brasileira argumentou que a taxação não afetaria apenas o café solúvel importado do Brasil, mas também outros setores da indústria de bebidas e alimentos que utilizam o café como insumo, incluindo xaropes e bebidas prontas para o consumo. O pedido de exclusão do café solúvel da tarifa proposta foi reforçado, com base na análise do potencial impacto sobre preços, abastecimento e custos ao longo da cadeia nos Estados Unidos.
A argumentação também evidenciou que 11% dos consumidores americanos consomem café solúvel diariamente, o que demonstra a relevância do produto no mercado. Para a indústria brasileira, o intuito principal foi mostrar que a imposição da tarifa teria repercussões além da relação comercial bilateral, afetando empresas e consumidores americanos que dependem do café solúvel na ponta final da cadeia.