Em setembro, o IPCA registrou uma alta de 0,48%, impulsionada por fatores como o fim do bônus de Itaipu e reajustes nas tarifas de energia elétrica, que impactaram o item Habitação. Apesar dessa elevação pontual, especialistas acreditam que a inflação continuará a convergir para a meta, com expectativas de desaceleração no próximo mês. Análises indicam que a pressão sobre os núcleos de inflação permanece controlada, e o ambiente econômico exige cautela por parte do Banco Central. Projeções indicam uma possível redução na Selic apenas em março de 2026, mantendo a taxa em 12% até lá.
O IPCA teve alta de 0,48% em setembro, indicando uma aceleração pontual devido a fatores como o fim do bônus de Itaipu e reajustes em energia elétrica.
A alta de 0,48% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrada em setembro confirma a expectativa de aceleração pontual no indicador, impulsionada pelo fim do bônus de Itaipu e reajustes nas tarifas de energia elétrica, que impactaram o item Habitação (alta de 2,97%). Especialistas, como Norberto Alves da Reach Capital, destacam que, embora a inflação tenha mostrado um aumento, o índice deve continuar convergindo à meta, prevendo uma desaceleração em outubro.
Análise do desempenho do IPCA
Segundo os analistas, a leitura do IPCA é vista como “benigna”. O indicador de serviços teve uma queda significativa, recuando pela primeira vez desde junho de 2024, de 0,39% para 0,13%. A inflação acumulada no ano é de 5,17%, ligeiramente acima dos 5,13% de agosto, o que ainda coloca pressão sobre o teto da meta de inflação de 4,5%.
Expectativas para o futuro
Apesar de uma surpresa baixista, a XP alerta que a inflação de serviços deve ter espaço limitado para convergir à meta, devido à pressão do mercado de trabalho. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, acredita que a expectativa é de desaceleração em outubro, especialmente com a redução da bandeira tarifária de energia. Além disso, a média dos núcleos de inflação subiu apenas 0,19%, abaixo da expectativa inicial.
Projeções de inflação
As projeções de inflação para 2025 foram revistas pela XP de 4,8% para 4,7%. Apesar do cenário desafiador atual, a expectativa é de que o Banco Central mantenha uma abordagem cautelosa, com possíveis cortes na Selic a partir de janeiro de 2026, encerrando o ano em 12%.
Os preços de bens industriais mostraram uma leve alta de 0,06%, enquanto a inflação de vestuário desacelerou para 0,63%, indicando uma tendência de acomodação nos preços. A análise macroeconômica sugere que a recente dinâmica do câmbio pode levar a leituras de inflação mais baixas nos próximos meses.