Como dados e tecnologia transformam os processos de recuperação e falência
A insolvência no Brasil em 2026 ganha previsibilidade com o uso de dados e tecnologia, transformando processos em decisões estratégicas.
O cenário da insolvência no Brasil vive uma profunda transformação em 2026, pautada por maior previsibilidade, uso intensivo de dados e decisões estratégicas que vão além do tradicional entendimento da crise como um último recurso. A insolvência no Brasil deixa de ser encarada exclusivamente como o fim e passa a ser um processo estruturado para reorganizar empresas, renegociar dívidas e buscar soluções equilibradas para todos os envolvidos.
A previsibilidade como fator-chave
Tradicionalmente, os problemas financeiros surgiam como surpresas, mas agora, graças à maior disponibilidade de informações e capacidade analítica, é possível identificar sinais de alerta ainda nos primeiros indícios de desequilíbrio. Isso permite compreender se uma empresa pode ser recuperada, está negociando suas dívidas ou se o caso caminha para uma solução definitiva. Assim, decisões mais fundamentadas podem preservar valor ao invés de acelerar perdas.
O papel da inteligência analítica e da tecnologia
A inteligência analítica converte dados financeiros, processuais e históricos em uma visão integrada do cenário, reduzindo decisões tomadas no impulso e criando espaço para estratégias consistentes. Plataformas digitais passam a reunir, em um único ambiente, informações processuais, financeiras e operacionais, promovendo maior organização, rastreabilidade e redução de tarefas repetitivas.
Benefícios para os agentes envolvidos
- Administradores judiciais: maior controle das etapas, eficiência e rastreabilidade.
- Credores: transparência sobre créditos e etapas processuais, permitindo decisões mais seguras e estratégicas.
- Empresas em recuperação: processos mais organizados, com clareza sobre prazos e possibilidades, facilitando o planejamento.
- Judiciário: acesso a informações padronizadas que aceleram análises e decisões.
A mudança de postura dos credores
Com acesso a dados confiáveis e atualizados, os credores deixaram de atuar apenas reativamente e passam a exercer um papel ativo, avaliando riscos e oportunidades com mais segurança. Isso contribui para um ambiente processual mais equilibrado e menos imprevisível.
Insolvência como parte do ciclo econômico
A percepção da insolvência também evolui, deixando de ser vista apenas como encerramento de atividades para ser compreendida como etapa possível para reestruturação e recuperação, especialmente em um cenário econômico instável e em transformação. Nem toda empresa em dificuldade é inviável, e processos bem conduzidos podem recuperar a capacidade operacional e financeira.
Com essa nova era da insolvência no Brasil, o uso estratégico de dados e tecnologia redefine o processo, tornando-o mais eficiente, transparente e alinhado à complexidade do mercado contemporâneo.
Júlio Moretti é CEO da NEOT
Fonte: brazileconomy.com.br
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