O uso de cartões como meio de pagamento vem se consolidando ao longo das décadas, superando a dominância do papel-moeda nas carteiras dos consumidores. Nesse contexto, as bandeiras de cartões se estabeleceram como intermediárias confiáveis entre consumidores, bancos e comerciantes. Contudo, a era dos pagamentos digitais promete uma nova revolução com a introdução de agentes de inteligência artificial (IA), que atuarão como um quarto elo nesse sistema.
As operadoras de cartões, como Mastercard, Visa e Elo, estão se esforçando para ir além do que representam atualmente, buscando se posicionar como a camada invisível onde as transações serão realizadas por máquinas. A expectativa é que, no futuro, assistentes de IA sejam capazes de comparar preços, selecionar opções e finalizar compras de forma autônoma, sem intervenção humana. Entretanto, executivos do setor manifestam incertezas sobre quando esse modelo de comércio agêntico se tornará uma prática comum, comparável à facilidade de realizar um pagamento via Pix.
Eduardo Merighi, vice-presidente de tecnologia da Elo, aponta que a plena autonomia nas compras, onde o consumidor só percebe a transação quando o produto é entregue, ainda está distante. Fatores culturais, a construção de confiança no sistema e os desafios de segurança são obstáculos que precisam ser superados. O histórico de mudanças na indústria de adquirência sugere que inovações desse tipo costumam levar cerca de dez anos para alcançar uma escala global significativa.
O processo de compra já exige que os consumidores sigam etapas bem definidas, como buscar informações online, escolher lojas, autorizar pagamentos e receber produtos. Delegar essa responsabilidade a um robô representa uma mudança de paradigma que demanda tempo para ser aceita. As operadoras de cartão estão atualizando suas infraestruturas existentes, utilizando tecnologias como APIS de tokenização e autenticação biométrica para facilitar essas transações com agentes de IA.
Em junho, a Visa firmou parceria com a OpenAI para desenvolver soluções de comércio agêntico, iniciando suas operações nos Estados Unidos. Leandro Garcia, diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, destacou que ainda não há previsão para a implementação dessa tecnologia no Brasil, mas a empresa se prepara tecnologicamente para essa realidade.
Por sua vez, a Mastercard concentrou seus esforços no Agent Pay, uma infraestrutura que promete aumentar a segurança e a confiança nas transações. Além de atender ao consumidor final, a empresa também está ampliando o conceito para a automação entre empresas, através do Agent Pay For Machines, que permite que agentes de IA realizem pagamentos corporativos de maneira autônoma, respeitando orçamentos previamente definidos. Recentemente, a Mastercard anunciou uma nova solução que adapta sites de varejistas para serem compatíveis com a leitura por agentes de IA.