Perspectivas para cortes na Selic mantêm atrativo da renda fixa mesmo em cenário de juros em queda
Analista da Empiricus destaca que, apesar da expectativa de cortes na Selic, a renda fixa ainda oferece retorno atrativo para investidores conservadores em 2026.
O investidor brasileiro mantém o foco na renda fixa mesmo diante da perspectiva de cortes na taxa Selic, que se manteve em 15% durante grande parte de 2025, oferecendo retorno superior a 14%.
Rentabilidade e expectativa do investidor
Laís Costa, analista de fundos e renda fixa da Empiricus, destaca que o investidor ainda busca o “mágico 1% ao mês” em aplicações conservadoras. Apesar da expectativa de uma redução de 200 a 300 pontos-base na Selic em 2026, os juros atuais continuam elevados, o que mantém a atratividade do segmento. Segundo ela, a relação risco-retorno da renda fixa ainda é favorável, proporcionando segurança com volatilidade praticamente nula para os investidores.
Impacto dos cortes na Selic sobre os títulos
Com o ciclo de afrouxamento monetário, os títulos pós-fixados tendem a perder atratividade, mas compensações relacionadas ao patamar ainda alto dos juros sustentam a rentabilidade. Em contrapartida, fundos de crédito vêm apresentando retornos relevantes, confirmando a preferência do público por ativos que combinam segurança e previsibilidade nos ganhos.
O papel dos títulos pré-fixados no cenário atual
Frederico Catalan, portfolio manager do Opportunity, reforça que ativos pré-fixados costumam se valorizar quando o Banco Central inicia um ciclo de cortes de juros. Ele projeta que o fechamento do ciclo atual será o mais intenso desde 2025, podendo gerar ganhos com o fechamento da curva, mesmo que não seja possível travar taxas tão elevadas.
Tesouro IPCA+ e o contexto político-econômico
Ao longo de 2025, o Tesouro IPCA+ manteve juros reais acima de 7%, patamar elevado segundo especialistas. Catalan associa essa taxa ao cenário de juros altos e às incertezas políticas e econômicas do ano eleitoral. A inflação que vem convergindo para a meta e a estabilização econômica devem contribuir para uma redução gradual das taxas, aproximando-se da taxa neutra histórica, estimada entre 5% e 6%.
Desafios da inflação e insegurança fiscal
Laís Costa complementa que a queda acelerada da inflação, influenciada por choques externos como a desvalorização do dólar, aumentou o juro real na ponta curta da curva. Por outro lado, a insegurança fiscal e o ambiente eleitoral pressionam os títulos de longo prazo, dificultando uma compressão maior dos retornos.
Perspectivas para 2026
A visão para o próximo ano indica uma disputa equilibrada entre papéis pré-fixados e indexados à inflação. Enquanto o Tesouro IPCA+ protege o investidor diante de descontrole fiscal no longo prazo, os pré-fixados se mostram especialmente atrativos num cenário de cortes agressivos de juros, podendo oferecer melhor rentabilidade do que em anos anteriores.
“Um ano em que você provavelmente vai ter um corte de juros mais agressivo do que o que está precificado no mercado tende a trazer uma rentabilidade melhor para os pré-fixados”, conclui Laís Costa.
Fonte: www.moneytimes.com.br
