Análise do fluxo de investimentos e perspectivas para o setor de mineração
Análise revela que investidores locais estão sublocados na compra de ações da Vale, enquanto estrangeiros aproveitam o rali.
Os investidores locais têm se mostrado cautelosos em relação à compra de ações da Vale (VALE3), perdendo a oportunidade de participar do recente rali da companhia, conforme aponta uma análise do BTG Pactual. Essa situação destaca uma diferença significativa entre a atuação de investidores brasileiros e estrangeiros no mercado de ações do Brasil.
O cenário atual das ações da Vale
O fluxo de investimentos em Vale tem sido expressivo, com investidores globais adquirindo R$ 15,8 bilhões em ações somente em janeiro de 2026, representando o maior fluxo comprador em um único mês no último ano. Em contraste, muitos investidores locais permanecem fora desse movimento, refletindo preocupações sobre a avaliação da empresa e a percepção de que o minério de ferro não está em um ciclo de supervalorização como visto em outras commodities.
Os analistas do BTG, Leonardo Correa e Marcelo Arazi, destacam que a maioria dos investidores brasileiros está precificando o minério de ferro em níveis que consideram exagerados, acreditando que não há fundamentos para um superciclo. Esta visão é corroborada pelos dados sobre o desempenho da demanda por aço na China, que apresentou uma queda de mais de 5% em comparação anual, sinalizando um mercado mais fraco.
Valuation e as preocupações dos investidores
O valuation da Vale é um ponto central na discussão entre os investidores brasileiros. O yield de fluxo de caixa (FCF) projetado para 2026 está estimado entre 7% e 9%, mas muitos investidores têm dificuldade em aceitar essas projeções devido ao recente desempenho das ações, que subiram 5,09% na última semana, apesar de um contexto um tanto deteriorado para os preços do minério de ferro, que caíram de cerca de US$ 110/t para US$ 103/t.
Essa resistência à compra se deve também ao receio de que a performance da ação não se sustente a longo prazo, especialmente se os preços do minério continuarem a cair. Para mitigar esse risco, alguns investidores locais estão buscando alternativas, como a compra de ETFs que seguem o Ibovespa (BOVA11), para obter exposição a commodities sem se comprometer diretamente com a volatilidade da Vale.
Perspectivas futuras para o investimento em Vale
O futuro da Vale e seu papel no mercado de ações brasileiro dependerão da recuperação da demanda por minerais, especialmente na China. A situação atual sugere que, enquanto os investidores estrangeiros aproveitam as oportunidades de compra, os brasileiros ainda ponderam a viabilidade desses investimentos, o que pode moldar o comportamento do mercado nos próximos meses.
A possibilidade de um aumento no fluxo de investimento, caso haja uma reavaliação positiva das perspectivas do minério de ferro, pode resultar em um cenário mais otimista para a Vale. Contudo, as incertezas persistem, e a estratégia dos investidores brasileiros pode continuar a ser marcada pela cautela, ao menos até que sinais mais claros de recuperação se tornem evidentes.
Fonte: www.moneytimes.com.br