A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) está conduzindo uma investigação em relação a ofensas virtuais direcionadas à tiktoker Maria Eduarda Alves dos Santos, conhecida como Duda Alves. A influenciadora, que contava com mais de 745 mil seguidores no TikTok, faleceu recentemente aos 22 anos. O caso está sob sigilo na 4ª Delegacia de Polícia (Guará) e examina a possibilidade de vilipêndio a cadáver, uma vez que comentários de natureza sexual foram feitos acerca do corpo da jovem após sua morte.
Duda Alves faleceu em Brasília no dia 15 de setembro de 2023, e seu velório ocorreu no mesmo dia, gerando grande comoção nas redes sociais. O conteúdo ofensivo disseminado em diversas plataformas levantou preocupações sobre o respeito à memória da falecida e aos sentimentos de sua família. Especialistas em violência de gênero têm analisado criticamente a situação, destacando a necessidade de um maior respeito nas interações virtuais.
O vilipêndio a cadáver é uma infração prevista no artigo 212 do Código Penal, caracterizando-se por ações que desrespeitam ou ofendem o corpo de uma pessoa falecida. No caso de Duda, as mensagens postadas nas redes sociais sugerem uma sexualização do corpo da influenciadora, o que, segundo a psicóloga Mariana Luz, reflete uma objetificação que persiste mesmo após a morte. Ela ressalta que a sociedade frequentemente trata o corpo feminino como um objeto, o que se estende ao modo como as mulheres são lembradas ou comentadas após falecerem.
Este episódio destaca um padrão preocupante de exposição do corpo de personalidades após a morte, com outros casos notáveis, como os de Marília Mendonça e Gabriel Diniz, que também tiveram suas imagens divulgadas sem consentimento após falecer. Em 2023, André Felipe de Souza Alves Pereira foi condenado por ter compartilhado fotos e links que levavam a essas imagens, sendo considerado culpado pelo vilipêndio a cadáver.
A decisão judicial, assinada pelo juiz Max Abrahão Alves de Souza, enfatizou a intenção de humilhar e ultrajar os mortos, servindo como um alerta sobre os limites da divulgação de imagens de cadáveres nas redes sociais. A investigação da PCDF sobre o caso de Duda Alves se insere nesse contexto de busca por justiça e respeito à memória das pessoas falecidas, refletindo a necessidade de um debate mais amplo acerca da dignidade humana em situações de luto e perda.
Com informações minutofoz.com.br