Denúncias de maus-tratos e violações de direitos humanos não foram apuradas, mesmo após um ano do voo polêmico
Um ano após o voo de brasileiros deportados dos EUA, denúncias de abusos não tiveram desdobramentos investigativos concretos.
Passado um ano desde o voo que repatriou 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos, a investigação sobre as denúncias de violações de direitos humanos ocorridas durante a viagem segue travada, sem avanços significativos. A “Investigação sobre deportação” desses casos envolve relatos graves de maus-tratos e abusos que expuseram a fragilidade da política migratória e os desafios diplomáticos enfrentados pelo Brasil.
O voo e as denúncias dos passageiros
Na madrugada de 24 de janeiro de 2025, uma aeronave partiu da Louisiana, nos EUA, com 158 passageiros, dentre eles 88 brasileiros deportados. Durante o trajeto, o avião enfrentou falhas mecânicas e problemas no sistema de ar-condicionado, o que levou a um pouso forçado em Manaus (AM). Em meio a condições insalubres, passageiros algemados e acorrentados relataram agressões, restrição ao uso do banheiro e uma atmosfera considerada “torturante”. Alguns deportados chegaram a subir na asa do avião para denunciar os abusos, imagens que geraram repercussão imediata.
Reação do governo brasileiro
O episódio marcou a primeira crise diplomática entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, e provocou uma mobilização pública. A ministra dos Direitos Humanos da época, Macaé Evaristo, classificou as denúncias como graves, ressaltando possíveis violações de direitos fundamentais, especialmente para pessoas com condições de saúde debilitadas. O Itamaraty iniciou diálogos com autoridades norte-americanas para buscar explicações e repudiar o uso de algemas e correntes em cidadãos brasileiros.
Promessas não cumpridas e ausência de responsabilização
Apesar das declarações e compromissos oficiais, um ano depois, nenhuma investigação foi concluída. O Ministério dos Direitos Humanos relata acompanhamento dos casos, mas reconhece limitações para atuar investigativamente, dependente da articulação com o Ministério das Relações Exteriores e outros órgãos. Até a publicação desta reportagem, não houve respostas formais do Itamaraty sobre o caso.
Medidas para acolhimento dos deportados
Como resposta prática, foi criado o Programa Aqui é Brasil, voltado para o acolhimento humanitário dos deportados, oferecendo apoio psicossocial, atendimento de saúde e auxílio para reabilitação socioeconômica. Até o momento, mais de três mil pessoas foram atendidas. Além disso, está prevista para 2026 a implantação de um Centro de Referência em Direitos Humanos no Aeroporto de Confins (MG), para atendimento multidisciplinar e prevenção de novas violações.
Lacunas no acompanhamento e comunicação
Passageiros e deportados relatam falta de contato das autoridades brasileiras após o desembarque e dificuldade de comunicação com o consulado brasileiro enquanto estavam detidos nos EUA. As denúncias de maus-tratos permanecem sem respostas oficiais ou processos que responsabilizem agentes envolvidos.
Contexto geral da deportação em 2025
O ano de 2025 foi o recorde histórico de deportações de brasileiros dos EUA, com mais de 3,5 mil pessoas repatriadas em 37 voos fretados. O primeiro voo da série, que culminou na crise diplomática e denúncias, evidenciou a nova política migratória americana e os desafios para o Brasil proteger seus cidadãos no exterior.
O caso deixa evidente a necessidade de articulação entre órgãos governamentais para garantir direitos humanos e a responsabilização em situações de abuso, ressaltando o papel do Estado brasileiro na defesa de seus cidadãos fora do país.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Arte Metrópoles