O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma sindicância para investigar o Desembargador Newton Ramos, que atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A investigação tem como objetivo apurar a suposta participação do magistrado em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro e seus possíveis vínculos com o Banco Master.
A determinação foi assinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e oficializada na terça-feira, 22 de setembro. Apenas dois dias após a abertura da sindicância, a Polícia Federal realizou uma operação no gabinete do desembargador, o que destaca a seriedade das investigações em curso.
A sindicância terá um prazo inicial de 60 dias, podendo ser prorrogada com justificativa. Esse procedimento foi motivado por uma reclamação disciplinar apresentada ao CNJ pelo advogado Alex Ferreira Borralho, que trouxe à tona indícios que merecem investigação sobre a atuação de Newton Ramos em processos que poderiam beneficiar o Banco Master e o escritório de advocacia onde sua esposa, Camilla Ramos, é integrante.
Um dos pontos centrais da investigação é a participação do desembargador no julgamento de um processo relacionado a precatórios do setor sucroalcooleiro, cuja análise está prevista para janeiro de 2024. A reclamação ainda menciona um contrato que pode alcançar até R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório de Camilla, envolvendo aproximadamente 12 processos desse setor.
Até o momento, o CNJ não encontrou evidências que comprovem ligações entre o crédito sob análise de Newton Ramos e o Banco Master, assim como a participação do escritório da esposa do desembargador nos processos em questão. As circunstâncias relacionadas às alegações apresentadas serão investigadas ao longo da sindicância.
O corregedor também exigiu que o TRF-1 forneça informações sobre processos que tenham relação com o Banco Master, empresas do setor sucroalcooleiro e o escritório de Camilla Ramos. Após ser notificado, Newton Ramos terá um prazo de 10 dias para apresentar sua defesa e solicitar as provas que julgar necessárias.
Com informações minutofoz.com.br