Como a diversificação maximiza a resiliência e o rendimento em carteiras de renda fixa e variável
Investimento em renda exige priorizar a diversificação para proteger a carteira de choques econômicos e manter o fluxo de caixa estável.
O investimento em renda é tradicionalmente associado à busca pelo maior rendimento possível, mas especialistas destacam que o foco principal deve ser a diversificação para garantir a estabilidade do fluxo de caixa.
Por que diversificar no investimento em renda
Embora muitos investidores priorizem estratégias de retorno total com retiradas flexíveis, a previsibilidade do fluxo de caixa continua sendo fundamental para quem depende da renda gerada pelos investimentos. O desafio está em que diferentes ativos respondem de maneira distinta às mudanças econômicas, tornando a diversificação entre tipos de renda tão importante quanto a diversificação entre classes de ativos.
Por exemplo, uma carteira composta por 25 ações de alta distribuição de dividendos pode parecer diversificada, mas ainda está sujeita ao risco do mercado acionário e ao risco específico de cada empresa. Já os títulos públicos de taxa fixa têm bom desempenho quando as taxas de juros caem, mas enfrentam riscos de reinvestimento e perda do poder de compra em cenários de inflação alta.
O papel das ações pagadoras de dividendos
As ações são fundamentais para o crescimento da renda dentro de uma carteira diversificada. Dividendos crescentes ajudam a preservar o poder de compra em períodos inflacionários, oferecendo uma adaptabilidade que fontes de renda estáticas não possuem. Contudo, o componente acionário geralmente apresenta maior volatilidade, o que torna uma carteira exclusivamente de ações arriscada para a maioria dos investidores.
ETFs como o Schwab U.S. Dividend Equity (SCHD) e o iShares Global Infrastructure (IGF) oferecem dividendos superiores ao S&P 500 com histórico consistente de aumento anual de dividendos, equilibrando rendimento e volatilidade.
Títulos fixos como estabilizadores
Os títulos de taxa fixa, como os títulos governamentais e hipotecas, proporcionam estabilidade de renda e preservação de capital, especialmente em períodos de crescimento econômico desacelerado. Entretanto, carregar títulos implica riscos relacionados a juros e inflação, evidenciados pelo aumento acentuado das taxas em 2022.
Opções disponíveis incluem ETFs como BlackRock Flexible Income (BINC), que atua amplamente no mercado de títulos com dividendos atrativos, o iShares Core U.S. Aggregate Bond (AGG), que oferece exposição a títulos do Tesouro e crédito corporativo, e o iShares TIPS Bond (TIP), focado em títulos protegidos contra inflação.
Estratégias de crédito para aumentar a renda
Estratégias de crédito, ao assumir risco de crédito em vez de risco acionário, oferecem maior fluxo de caixa que títulos tradicionais. Instrumentos como high-yield bonds, empréstimos sênior e crédito estruturado apresentam taxas flutuantes que podem se beneficiar de aumentos nas taxas curtas.
Embora menos expostos ao risco de duração dos títulos de longo prazo, esses investimentos são sensíveis a crises econômicas que elevam inadimplências. ETFs indicados são VanEck BDC Income (BIZD), com alto rendimento via empréstimos a pequenas e médias empresas, e Janus Henderson AAA CLO (JAAA), com carteira de obrigações de empréstimos colateralizados.
Alternativas para diversificar fontes de renda
ETFs alternativos, embora mais complexos e menos líquidos, oferecem rendimentos significativamente maiores, como o Calamos Autocallable (CAIE) que paga 14% anualizado com exposição a derivados do S&P 500, desde que o índice não caia mais de 40%.
Outras alternativas viáveis incluem REITs para acesso ao mercado imobiliário comercial e Master Limited Partnerships, que funcionam como concessionárias no setor energético.
O que significa verdadeira diversificação em renda
Diversificar não é simplesmente possuir muitos ativos, mas distribuir riscos entre classes e fontes de renda distintas. Uma carteira com milhares de ações pode se comportar como uma única aposta devido à correlação dos ativos, que são impactados simultaneamente por fatores econômicos e financeiros.
Investimentos em renda envolvem geração de fluxo de caixa variável conforme inflação, juros, crescimento e câmbio, além de influências específicas setoriais, geopolíticas e regulatórias. Embora riscos não possam ser eliminados, uma carteira bem estruturada reduz a probabilidade de que um único fator comprometa renda ou valor.
Focar apenas na maximização do rendimento, sem diversificação adequada, pode deixar o investidor vulnerável a mudanças econômicas. A resiliência da renda está em distribuir investimentos por múltiplos ambientes econômicos, garantindo fluxo estável independentemente do cenário.
