Investimentos climáticos em fundos de pensão públicos dos EUA enfrentam críticas

Matt Bennett / Unsplash

Relatório aponta falhas na transparência e metas concretas para enfrentar riscos climáticos nas aposentadorias

Relatório da Sierra Club revela que a maioria dos fundos de pensão públicos dos EUA não possui estratégias claras para investir em soluções climáticas.

Investimentos climáticos fundos de pensão: cenário atual e desafios

Um recente relatório da Sierra Club revelou que a maioria dos fundos de pensão públicos dos Estados Unidos não está investindo adequadamente em soluções climáticas que podem mitigar riscos financeiros associados às mudanças climáticas e proteger as economias dos beneficiários. Com um universo de 30 fundos avaliados, incluindo um fundo permanente, que juntos acumulam cerca de US$ 3,25 trilhões em ativos, o estudo identificou ausência de metas claras, definições confiáveis e transparência nos investimentos voltados para a infraestrutura de baixo carbono.

Falta de políticas claras e impacto real

Segundo Ben Cushing, diretor da campanha de finanças sustentáveis da Sierra Club, compromissos simbólicos de fundos que não se traduzem em ações concretas comprometem a credibilidade das instituições e não geram o impacto necessário para reduzir riscos climáticos. Dos fundos analisados, apenas quatro — incluindo o Minnesota State Board of Investment e o New York State Common Retirement Fund — obtiveram avaliação positiva para suas estratégias de investimento em soluções climáticas, enquanto 22 fundos receberam notas frágeis ou inexistentes para políticas nesse sentido.

Pressões políticas e implicações para o futuro

O contexto político atual nos EUA, marcado pela administração anterior que expressou resistência às políticas ambientais, tem dificultado a adoção de práticas sustentáveis por instituições financeiras. A revogação de regras que permitiam considerar fatores ESG (ambientais, sociais e de governança) nas decisões de investimento e a incerteza regulatória têm feito alguns fundos recuar em suas metas climáticas. Apesar disso, alguns fundos continuam a avançar em seus compromissos, enquanto outros enfrentam retrocessos devido a mudanças nas exigências da Securities and Exchange Commission (SEC).

Riscos para os beneficiários e a importância da governança

Análises indicam que os retornos dos fundos de pensão podem diminuir até 50% até 2040 caso os piores cenários de aquecimento global se concretizem e as políticas climáticas atuais não forem revistas. Especialistas como Cynthia Hanawalt, do Sabin Center for Climate Change Law, enfatizam a responsabilidade fiduciária dos gestores em proteger as economias dos aposentados diante desses riscos, destacando que a legislação varia entre estados, o que pode influenciar a flexibilidade dos fundos para agir.

Caminhos para avançar: metas, definições e transparência

A Sierra Club recomenda que os fundos estabeleçam metas temporais claras, adotem definições sólidas para investimentos climáticos e reforcem a governança e a transparência sobre suas carteiras. Casos como o do CalPERS, maior fundo de pensão público dos EUA, que afirma ter US$ 60 bilhões em investimentos climáticos, são questionados pela falta de clareza sobre o que está incluído, já que investimentos em grandes empresas de petróleo e gás foram contabilizados. Além disso, o fenômeno do “greenhushing” — empresas que realizam transição para práticas mais sustentáveis, mas evitam divulgar suas ações — complica a avaliação dos investidores sobre os verdadeiros compromissos climáticos.

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