Investimentos mudam no mundo e ativos privados ganham espaço nas carteiras de grandes bancos

foto: Magnific

Gestoras como BlackRock e J.P. Morgan indicam que modelo tradicional 60/40 está sendo revisto; mercado privado deve crescer e já influencia estratégias globais e brasileiras

As maiores gestoras de ativos do mundo estão revisando o modelo tradicional de alocação de investimentos, baseado há décadas na divisão de 60% em ações e 40% em renda fixa. Esse padrão, amplamente utilizado como referência de equilíbrio em carteiras, começa a perder espaço diante de mudanças estruturais no mercado financeiro global.

Segundo projeções da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, os portfólios devem migrar para um novo modelo, conhecido como 50/30/20. Nele, 50% dos recursos permanecem em ações, 30% em renda fixa e cerca de 20% são direcionados a ativos privados. A instituição estima ainda que o mercado privado global possa crescer de US$ 13 trilhões para mais de US$ 20 trilhões até 2030.

Na mesma direção, a J.P. Morgan defende a evolução para o modelo “60/40+”, no qual investimentos alternativos passam a fazer parte estrutural das carteiras, deixando de ser apenas uma estratégia complementar.

A mudança reflete transformações mais amplas na economia global. Empresas estão permanecendo mais tempo fora das bolsas de valores, o que reduz a quantidade de companhias listadas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o número de empresas de capital aberto caiu cerca de 12% em dois anos, segundo dados do setor. Com isso, a geração de valor tem migrado cada vez mais para o mercado privado.

No Brasil, o movimento também encontra eco. A Anbima projeta a entrada de até 8,7 milhões de novos investidores até 2026. Além disso, o conhecimento espontâneo sobre produtos financeiros avançou de 28% para 43% nos últimos cinco anos, indicando um público mais amplo e mais atento a alternativas além dos investimentos tradicionais.

Nesse cenário de expansão e maior interesse por estratégias fora do mercado tradicional, instituições especializadas em investimentos alternativos passam a ganhar espaço. É o caso da PR Private Partners, escritório fundado em 2025 em Curitiba e com atendimento em todo o Brasil. A empresa reúne profissionais com experiência no mercado financeiro, com atuação em algumas das principais instituições financeiras do país, e tem como foco o segmento de oferta privada e investimentos alternativos.

Esses produtos, ainda pouco explorados no mercado brasileiro de varejo, vêm ganhando relevância dentro da tese de diversificação de portfólio e busca por novas fontes de retorno.

Para o especialista em investimentos José Salazar, o avanço dos ativos privados exige leitura técnica e disciplina por parte do investidor, especialmente em um ambiente de maior sofisticação e risco.

“A diferença entre uma alocação bem estruturada em ativos de oferta privada e uma armadilha não está na promessa de retorno — está em três perguntas objetivas: como esse retorno é gerado? O contrato tem lastro jurídico real? A garantia oferecida é, de fato, executável? Quem domina essas três perguntas não precisa se impressionar com discurso de vendas. Investe com critério”, afirma.

Em outro ponto, Salazar reforça a necessidade de cautela diante da expansão desse mercado e do aumento do interesse de investidores pessoa física.

“Em momentos de expansão acelerada, o maior risco não é a falta de oportunidade, mas a ausência de análise técnica. Quando o investidor perde o critério, ele passa a confundir estrutura com promessa”, completa.

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