Os treasuries, títulos públicos dos Estados Unidos, vêm se tornando uma opção cada vez mais atraente para investidores brasileiros que desejam diversificar suas carteiras e ampliar a exposição à renda fixa internacional. Em momentos de incerteza econômica global, esses ativos são frequentemente buscados, ao lado de ouro e dólar, por serem considerados mais estáveis durante períodos de volatilidade financeira.
Atualmente, é possível investir em treasuries diretamente na B3, com valores acessíveis a partir de aproximadamente US$ 100. Essa possibilidade é oferecida por meio de ETFs (fundos de índice) e BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que replicam o desempenho da dívida pública dos Estados Unidos. Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, destaca opções como o BSHY, que proporciona exposição a títulos de até três anos, o BIGL, que abrange um período de dez anos, e o BTLT, que está ligado a títulos com vencimento em 20 anos.
A Bolsa de Valores brasileira, que facilita a comercialização desses ativos no país, classifica os treasuries em cinco categorias: T-Bills, voltados para aplicações de curto prazo, com vencimentos que variam de um mês a um ano; T-Notes, que têm prazos de dois a dez anos; e T-Bonds, com intervalos de 20 a 30 anos, oferecendo juros semestrais prefixados. Além disso, existem os TIPS, que são indexados à inflação americana, com prazos de cinco a 30 anos e juros pagos semestralmente, além dos FRN, que são títulos pós-fixados com rendimento variável.
Uma das vantagens de investir em treasuries é a liquidez diária, permitindo que os investidores não precisem manter suas aplicações até o vencimento final para acessar os recursos. Pascowitch esclarece que não é necessário permanecer com os investimentos por longos períodos, uma vez que é possível vendê-los a qualquer momento. Isso significa que o investidor, na prática, está adquirindo exposição aos vencimentos desses títulos.
As oscilações nos preços dos ETFs são naturais e refletem o movimento das taxas de juros nos Estados Unidos. Pascowitch ressalta que esse comportamento é esperado, especialmente em um cenário onde os títulos públicos americanos estão oferecendo taxas elevadas. Por conta disso, os ETFs tendem a apresentar preços mais baixos para proporcionar retornos maiores, não indicando necessariamente uma perda. Quando as taxas de juros começarem a cair, é esperado que esses ETFs voltem a se valorizar.
Recentemente, os investimentos em treasuries foram tema do quadro “Papo de Investidor”, exibido na Resenha do Dinheiro. O programa, que conta com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, é apresentado por Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, além de Pascowitch. A proposta do programa é oferecer uma abordagem leve e direta sobre educação financeira e investimentos, abordando semanalmente os principais temas econômicos de forma informal, mas informativa.